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Correio da Manhã

Política
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CENSURA DIVIDIU OPOSIÇÃO

Pedro Santana Lopes ainda levou para a tribuna um discurso escrito, mas rapidamente se socorreu de umas folhas brancas e falou de improviso ao Parlamento. A tarefa estava facilitada com a aprovação do Programa de Governo pela maioria PSD/CDS-PP.
29 de Julho de 2004 às 00:00
Faltava dissecar a legitimidade do seu Executivo, depois da própria esquerda se ter dividido na aprovação das moções de rejeição ao Governo. Só a moção de confiança, proposta pela maioria de coligação, mereceu o ‘chumbo’ unânime dos partidos da oposição pela “falta de legitimidade política” do elenco governamental.
“Que bem fez o Sr. Presidente em não convocar eleições”, afirmou o primeiro-ministro perante o Plenário. Uma frase, aliás, repetida algumas vezes por Santana. Em seu entender, “a outra possibilidade, (as eleições), “teria mais ou menos o mesmo resultado”. Num registo coloquial voltou-se para a bancada ‘rosa’ e sustentou: “o PS sabe e sabe muito bem, que se fossemos para eleições, não tinha receio nenhum. Mas se fossemos a eleições os senhores perdê-las-iam novamente”. O remate final do seu raciocínio saiu em tom ainda mais inflamado. “O que ficou provado neste debate é que não existia alternativa a esta maioria no país, não existe alternativa no Parlamento. Não ouvi aqui ninguém dizer que no quadro deste Parlamento era possível outra maioria”. E deixou escapar um olhar para a bancada onde se encontrava João Serra, conselheiro de Jorge Sampaio.
O apelo aos consensos com todos os partidos foi a outra ‘pedra de toque’ da intervenção de Santana Lopes. “Nunca me dei bem com o pensamento único”, frisou, não sem antes lembrar que os melhores governos do seu partido foram aqueles que a oposição quis desacreditar à partida. E deu o exemplo de Sá Carneiro e Cavaco Silva.
Do lado da oposição, as críticas foram repartidas entre o Executivo...e o PS. PCP e BE não se conformaram com a posição socialista de se abster na votação das suas moções de rejeição ao programa de Governo.
“Quisemos convergência na rejeição do Governo e lamentamos que não tenha acontecido”, explicou aos jornalistas Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP. O Bloco foi ainda mais duro ao destacar que a posição socialista “ é um favor a Santana Lopes, valorizando a diferença entre as oposições e aumentando a margem de manobra do Governo”.
O líder parlamentar socialista limitou-se a salientar que não fez qualquer favor ao primeiro-ministro e que a esquerda esteve unida no voto contra a moção de confiança ao programa de Governo. António José Seguro demarcou-se do PCP e do BE porque cada partido tem o seu próprio programa político.
Já Santana Lopes saiu do Plenário garantindo que “agora é começar a governar”.
NOTAS DE IMPROVISO
CONTINUIDADE
Santana Lopes assumiu por completo a responsabilidade política de continuidade das medidas do anterior Executivo.
CORES E PERFEIÇÃO
O primeiro-ministro disse que não há executivos perfeitos. “Não pintarei com outras cores aquilo que é indisfarçável e que correu menos bem”, referiu, a propósito da colocação de professores.
FIM-DE-SEMANA
Santana prometeu trabalhar até nos “fins-de-semana”, no dossier dos incêndios. E reconheceu que o país não pode estar satisfeito com os meios disponíveis, prometendo intensificar os esforços de coordenação e de reforço de meios.
CONSELHO
Santana Lopes promete que os próximos conselhos de ministros serão exemplo da celeridade com que se pretende resolver problemas, alguns com décadas. Faltou foi dizer quais são. Nem mesmo com a insistência dos jornalistas o primeiro-ministro adiantou mais pormenores.
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