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Centeno diz há muito se sabia que população em Portugal era superior

De acordo com o antigo governador do Banco de Portugal, "o INE só usou os dados da AIMA para certificar os dados da Segurança Social, porque aquelas pessoas foram todas validadas na Segurança Social".

30 de junho de 2026 às 14:00

O ex-ministro das Finanças Mário Centeno defendeu esta terça-feira que há muitos anos se sabia que a população do país era superior, apelando ao INE para que "não gere uma quebra de série em 2021" e use a mesma metodologia.

"É evidente, e eu insisto nisto, sabíamos que não éramos aquele número [10 milhões de população]. Sabíamos há anos e anos e anos. Eu ainda era ministro e já perguntava ao INE, sem quebrar a independência do INE, 'onde é que estava o PIB para aquele volume de emprego' e depois passou-se a fazer a pergunta 'onde é que estava na população o emprego que nós identificávamos nas milhentas fontes de informação'", disse Mário Centeno durante a sua intervenção nas jornadas parlamentares do PS, na Amadora, em Lisboa.

Em causa, a atualização feita pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) do número de residentes em Portugal para 11.424.031 pessoas, graças à contabilização de 1.597.539 pessoas estrangeiras, tema que já levou o PSD a pedir a audição parlamentar de ex-governantes socialistas como José Luís Carneiro para apurar se o anterior executivo sabia ou não do aumento populacional.

"(...) descobrimos na semana passada que somos muito mais do que aquilo que o INE nos dizia que éramos, mas isso não é verdade. Nós sabíamos exatamente quem éramos, onde estávamos, onde trabalhávamos, quantos trabalhavam e como trabalhavam", disse.

De acordo com o antigo governador do Banco de Portugal, "o INE só usou os dados da AIMA para certificar os dados da Segurança Social, porque aquelas pessoas foram todas validadas na Segurança Social".

"Havia aqui um choque metodológico. Aquilo que eu faço, e peço ao INE, é que não gere uma quebra de série em 2021 e que faça o favor de utilizar a mesma metodologia para todos os anos para os quais tem informação, que são muitos anos e nós não merecemos viver com uma quebra estatística em 2021, que vai impedir a maior parte das análises económicas a partir daí", pediu.

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