Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
8

Cerco a Sócrates no Parlamento

A ameaça de uma moção de censura se a comissão de inquérito concluir que houve interferências do Governo na tentativa de negócio entre a PT/TVI foi ontem admitida pelo candidato à liderança do PSD, José Pedro Aguiar-Branco, na Antena 1. Como líder parlamentar apenas falou de "consequências políticas", sem concretizar.
27 de Fevereiro de 2010 às 00:30
José Pedro Aguiar-Branco admitiu, no limite, uma moção de censura
José Pedro Aguiar-Branco admitiu, no limite, uma moção de censura FOTO: Tiago Petinga/Lusa

O avanço para uma comissão de inquérito já estava em cima da mesa depois das primeiras contradições das audições na Comissão de Ética. Ontem, Aguiar-Branco anunciou que a proposta social-democrata de inquérito tem como objecto, por um lado, "apurar se o Governo, directa ou indirectamente, interveio na operação conducente à compra da TVI pela PT e, se o fez, de que modo e com que objectivos". Por outro, "apurar se o senhor primeiro-ministro faltou à verdade ao Parlamento na sessão plenária de 24 de Junho de 2009". Em suma, está em aberto, sendo aprovado o inquérito, chamar ao Parlamento o primeiro-ministro. O BE registou com agrado a iniciativa do PSD e o CDS vai apoiá-la. Assim, mal termine a votação final global do Orçamento do Estado, a 12 de Março, o Parlamento terá na sua agenda um tema com consequências políticas imprevisíveis.

O PS reagiu, pela voz de Francisco Assis, e vota contra o inquérito, afirmando que "os que têm vindo a sustentar a tese de que houve tentativa do Governo para coarctar a liberdade de expressão em Portugal não foram capazes de apresentar factos" para o efeito.

A PARTICIPAÇÃO DO GOVERNO

O CDS-PP viabiliza uma comissão de inquérito ao negócio PT/TVI e só neste âmbito o aceita. "Para nós, o que é essencial é saber qual é que foi a participação do Governo no negócio da TVI e também saber se o primeiro-ministro no Parlamento, a uma pergunta de um deputado do CDS, respondeu ou não a verdade quando, no dia 24 de Junho, disse que não tinha conhecimento deste negócio", declarou Mota Soares, líder parlamentar.

O Bloco de Esquerda, que tem mantido contactos com outros grupos parlamentares para realizar o inquérito, manifestou-se satisfeito, pela voz de Helena Pinto. O PSD, aliás, já admitiu ponderar a fusão das duas propostas de comissão. O BE foi o primeiro a avançar com a iniciativa.

O PCP só toma posição quando ler a proposta de inquérito.

APONTAMENTOS

AUDIÇÕES MANTÊM-SE

O presidente da Comissão Parlamentar de Ética disse ontem à Lusa que as audições a figuras ligadas à Comunicação Social vão continuar, mesmo depois de ser instaurado um inquérito parlamentar sobre o negócio PT/TVI.

CONFERÊNCIA DECIDE

A reunião da conferência de líderes agendada para a próxima terça-feira tomará uma decisão sobre a comissão de inquérito, sendo que o seu início não deverá acontecer antes da aprovação final do Orçamento do Estado, ou seja, antes de meados de Março.

CAMPANHA PARTIDÁRIA

Se há matéria em que os três principais candidatos a líder do PSD convergem é na comissão de inquérito. Mas Paulo Rangel diz que é precipitada a moção de censura. Passos Coelho defende que o primeiro-ministro deve ser ouvido e admite a queda do Executivo.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)