Intervenção da PSP na manifestação pela habitação, no Porto, provocou vários feridos.
O Chega classificou, esta quinta-feira, como correta a intervenção da PSP na "manifestação legítima" pela habitação no Porto, considerando que não estava a ser cumprida a lei e que Portugal não pode ser "um país de tendas na rua".
Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, o líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, começou por salientar que "o direito à manifestação é legítimo", desde que cumpra a lei, e "o direito à habitação é uma causa nobre", acusando o Governo de não estar a fazer o suficiente nesta área.
"O que não é legítimo é não cumprirem a lei e não acatarem a ordem dos polícias. As forças de segurança tiveram que atuar, num contexto difícil, num contexto onde também eles foram agredidos", afirmou, dizendo ter visto imagens de polícias a serem empurrados.
Pedro Pinto afirmou ainda ter tido conhecimento pela comunicação social de que houve "movimentos de extrema-esquerda infiltrados" dentro da manifestação.
"Não podemos deixar que estes movimentos de extrema-esquerda invadam as manifestações legítimas (...) Os manifestantes que ali estavam àquela hora não estavam a cumprir as ordens da polícia. Nós não podemos ter o país com tendas espalhadas por todo o lado, porque temos de cumprir a lei", defendeu.
Sobre a forma de intervenção da PSP, o deputado considerou que se tratou de "uma atuação correta", dizendo ter ouvido vários manifestantes a dizer que apenas estavam "a cantar canções" às 03:00 da madrugada.
"Não me parece que seja muito legítimo estarmos a incomodar a ordem pública às 03:00 da manhã a cantar canções. Tudo isto fez com que houvesse estes confrontos", considerou, elogiando que a política tenha percebido que era "importante dispersar esse problema".
"Portugal não é um país de tendas na rua, não é um país onde nós possamos admitir que nas nossas praças, nas bonitas praças que temos pelo país, as pessoas se manifestem desta maneira", insistiu.
O deputado do Chega aproveitou para criticar o Governo PSD/CDS-PP em matéria de habitação, dizendo que não tem conseguido cumprir as promessas que fez.
"As pessoas estão com dificuldades em pagar as rendas de casa, estão com dificuldades em ter habitação, particularmente nas grandes cidades, e este Governo não conseguiu ainda responder a todos esses anseios das populações", disse.
O movimento pela habitação que tem protestado no Porto desde sábado denunciou uma carga policial esta madrugada que causou ferimentos em 37 dos participantes, dois dos quais em estado grave.
Em reação, a PSP alegou que "as reuniões e manifestações em lugares públicos não podem prolongar-se para além da 00:30" e que os manifestantes no Porto adotaram "comportamentos de resistência", que levaram à atuação policial, provocando "alguns feridos".
Mais tarde, o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, defendeu que a PSP se viu forçada a atuar, perante a atitude dos manifestantes, tendo lamentado o incidente.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, já considerou legitima esta intervenção policial e sublinhou a necessidade de "repor a ordem", lamentando "qualquer incidente" na sequência da atuação das forças de segurança.
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