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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Chega quer explicações urgentes do Governo sobre escolha para o SIRESP

Em causa a demissão do secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna, António Pombeiro, apresentada este domingo.

24 de maio de 2026 às 19:04

O presidente do Chega anunciou, este domingo, o pedido de audição parlamentar urgente do ministro da Administração Interna, do secretário-geral adjunto demissionário António Pombeiro e do general Paulo Viegas Nunes, questionando a "integridade" desta escolha para o SIRESP.

Em causa, a notícia da demissão do secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna (MAI), António Pombeiro, este domingo conhecida, avançada pela CNN e confirmada à Lusa pelo MAI.

A CNN cita o 'email' que António Pombeiro enviou a propósito do pedido da sua exoneração na sexta-feira e no qual apontou "graves irregularidades" na gestão da rede pública do SIRESP durante a presidência do general do Exército Paulo Viegas Nunes, que na sexta-feira voltou a ser eleito para o cargo, que tinha ocupado entre 2022 e 2024.

"Continuar a nomear os mesmos é um prémio à incompetência ou à corrupção, uma das duas coisas. É isso que é importante saber e perceber. Por que é que o Governo - que disse que queria reformular o SIRESP - nomeia exatamente o mesmo homem que, entre 2022 e 2024 esteve à frente da SIRESP S.A., levando à gestão que que o país todo conhece e cujos resultados são também conhecidos de todos?", questionou André Ventura, em conferência de imprensa na sede nacional do partido, em Lisboa.

Ventura salientou que a demissão de António Pombeiro "não é uma demissão qualquer", dizendo que o secretário-geral adjunto do MAI "denunciou uma série de irregularidades e de ilegalidades" e que "o seu ministro e o Governo olharam para o lado".

Sem pedir, para já, a demissão de Luís Neves, o líder do Chega defendeu que a escolha do presidente do SIRESP deveria ser revertida e criticou também o que chamou de "silêncio ensurdecedor do PS" sobre esta matéria.

"O facto de estar em silêncio por potencialmente estarem envolvidas pessoas que também o PS nomeou ou permitiu que continuassem em funções e a cuja gestão fechou os olhos durante o período de 2022 a 2024 é particularmente grave no cenário em que estamos", disse.

Ventura salientou que o SIRESP "já custou ao erário público mais de 800 milhões de euros".

"Crise após crise, tempestade após tempestade, incêndio após incêndio, tem falhado, mesmo após gastar milhões, centenas de milhões, em recursos públicos e em dinheiro público", disse, considerando "incompreensível" que o Governo volte a apostar na mesma pessoa que já esteve à frente do SIRESP.

O líder do Chega introduziu, na mesma conferência de imprensa, o tema do relatório da Presidência Aberta na Zona Centro do país, realizada por António José Seguro entre 06 e 10 de abril às zonas afetadas pelas tempestades, noticiado no sábado, para apontar que "o Governo falhou na generalidade e nos casos principais de gestão da crise".

"Aquilo que suspeitámos durante a campanha eleitoral é agora mais evidente em relação às falhas que o Governo teve, num tema em que não podia falhar e em que não devia falhar", acusou.

Para o líder do Chega, até por estas conclusões sobre as falhas passadas, o primeiro-ministro e o ministro da Administração Interna devem dar garantias ao país de que as nomeações são feitas "não por conluio ou por interesses obscuros", mas "obedecem a critérios de integridade e de serviço público".

O Ministério da Administração Interna confirmou à Lusa a saída de Pombeiro, acrescentando que este foi o seu segundo pedido de demissão apresentado no espaço de um mês.

António Pombeiro "pediu a sua exoneração em 28 de abril passado, antes de ser conhecida a eleição do General Viegas Nunes [para presidente do SIRESP], e de novo na passada sexta-feira, dia 22 de maio, tendo esta última sido aceite", explicou o gabinete do ministro Luís Neves, em resposta à Lusa.

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