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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Concurso para seis navios patrulha oceânicos formalmente lançado

"Estes navios são fundamentais para assegurar uma atuação eficaz nos espaços sob soberania e jurisdição nacional", referiu a ministra da Defesa Nacional.

21 de maio de 2023 às 15:36

O concurso para a aquisição de seis navios de patrulha oceânica, inserido no programa de renovação da frota da Marinha Portuguesa, foi lançado na sexta-feira, revelou este domingo, no Porto, a ministra da Defesa Nacional.

"Nesta data, quero dar particular destaque à terceira série de navios de patrulha oceânica da classe Viana do Castelo, cujo concurso de aquisição foi formalmente lançado na sexta-feira", disse Helena Carreiras que falava, no Porto, durante as comemorações do Dia da Marinha.

A cerimónia mobilizou mais de 500 militares em parada que levaram à avenida em frente à Alfândega milhares de pessoas.

De acordo com Helena Carreiras, "a atempada e célere execução deste programa [de modernização da marinha] constitui uma prioridade para o interesse nacional e para o cumprimento das missões da Marinha Portuguesa".

"Estes navios são fundamentais para assegurar uma atuação eficaz nos espaços sob soberania e jurisdição nacional", referiu a ministra, que não falou aos jornalistas à margem da cerimónia.

Em causa está a aquisição de seis navios de patrulha oceânica, cuja primeira entrega estava prevista para 2023, mas que foi adiada.

Fonte do Ministério da Defesa Nacional disse este domingo à agência Lusa que o primeiro destes seis navios chegará em 2026 e os dois últimos em 2030.

A 16 de maio, na comissão parlamentar de Defesa, no âmbito da discussão da especialidade das propostas de Lei de Programação Militar (LPM) e de Lei de Infraestruturas Militares (LIM), e em resposta a perguntas do PSD, a governante desdramatizou o atraso na aquisição dos seis navios.

O atraso aconteceu após o segundo 'chumbo' pelo Tribunal de Contas (TdC) do visto do contrato que o Ministério da Defesa Nacional pretendia fazer com a 'holding' estatal IdD-Portugal Defence para a gestão do programa, no ano passado.

Num discurso centrado no agradecimento à prontidão dos militares e operacionais e no plano de ação do Governo para a profissionalização militar, Helena Carreiras falou também de várias missões de navios portugueses.

A governante destacou, entre outros, o projeto de presenças coordenadas da União Europeia, a participação portuguesa nas medidas de tranquilização da NATO ou as parcerias com países lusófonos, sem esquecer o papel de Portugal no contexto da tensões do leste da Europa decorrentes da invasão militar da Rússia à Ucrânia.

"Todas estas missões reforçam de forma clara e inequívoca o papel de Portugal enquanto parceiro e aliado de confiança", disse.

Perante o Chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Henrique Gouveia e Melo, que tinha discursado anteriormente, Helena Carreiras garantiu que o Plano de Ação para a Profissionalização do Serviço Militar, que visa "recrutar e reter os melhores", tem sido "uma prioridade".

"Estou certa de que continuaremos a avançar em conjunto em prol desse e doutros objetivos, melhorando as condições daqueles e daquelas que escolhem esta profissão", disse, afirmando "a total confiança" da tutela na "liderança e visão" de Gouveia e Melo.

Helena Carreiras apontou que "a Marinha Portuguesa tem em curso um extenso plano de renovação e modernização que visa a otimização tecnológica nos próximos anos" e descreveu a Lei de Programação Militar, atualmente em discussão na Assembleia da República, como "a maior proposta de sempre", num investimento estimado 5,5 milhões de euros.

O Dia da Marinha é uma iniciativa nacional que este ano decorreu no Porto com eventos ao longo de vários dias.

Entre os destaques está a possibilidade de visitar o navio-escola Sagres, atracado no rio douro, algo que não acontecia há 25 anos.

Fonte da organização disse à Lusa que "só no sábado" foram contabilizadas mais de 7.500 visitas ao navio-escola.

O objetivo desta iniciativa passa por aproximar a sociedade da Marinha e mostrar às pessoas que este ramo das Forças Armadas é um instrumento do Estado português na sua ação no mar.

O ponto alto das celebrações foi o desfile deste domingo que contou com uma demonstração de capacidades militares junto ao rio Douro.

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