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Correio da Manhã

Política
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Corte de 1,2 milhões afasta superespião

Director do SIED demitiu-se do cargo por questões financeiras. Redução acumulada de verbas ameaça operacionalidade de espiões fora do País.
18 de Novembro de 2010 às 00:30
Jorge Silva Carvalho foi nomeado director do SIED em 2008. A sua saída está a gerar instabilidade no meio
Jorge Silva Carvalho foi nomeado director do SIED em 2008. A sua saída está a gerar instabilidade no meio FOTO: João Miguel Rodrigues

O director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), que actua fora de Portugal, demitiu-se do cargo por causa da acumulação dos cortes orçamentais desde 2009. Ao todo, segundo apurou o CM, está em causa uma verba de cerca de 1,2 milhões de euros, cuja falta coloca em sérios riscos a operacionalidade deste serviço. Jorge Silva Carvalho, que liderava o SIED desde 2008, informou ontem os seus funcionários da sua demissão do cargo e despediu-se com um "Até breve!".

As dificuldades financeiras do serviço dos espiões que actuam no estrangeiro, recolhendo informações estratégicas para a prevenção do terrorismo ou o investimento das empresas portuguesas, arrastam-se há um ano. E, segundo fontes conhecedoras, o primeiro-ministro, José Sócrates, que tutela os serviços secretos civis, tinha conhecimento da gravidade da situação.

Para já, as dotações financeiras do SIED chegaram a uma escassez tal que este serviço já esgotou o seu orçamento para 2010. E, por isso mesmo, tem estado a funcionar com verbas transferidas do gabinete do secretário-geral do Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP), Júlio Pereira.

Por causa desta injecção financeira, o SIED já deverá quase 700 mil euros ao gabinete de Júlio Pereira. E, devido à escassez de verbas, este serviço está paralisado desde Junho passado.

Com mais um corte orçamental em 2011, o SIED terá de desactivar estações de recolha de informações no estrangeiro.

SIED DIRECTOR SECRETAS CORTES ORÇAMENTAIS JORGE SILVA CARVALHO
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