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Correio da Manhã

Política
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Costa desafia empresas a pagar melhores salários

Líder do PS faz discurso de olhos postos nas novas gerações, mas avisa os ‘jovens turcos’ que ainda está longe da aposentação.
Manuel Jorge Bento,Salomé Pinto e Isabel Jordão 28 de Maio de 2018 às 08:03
António Costa
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Um acordo de concertação social para conciliar a família e trabalho, um pacote de medidas para facilitar o regresso de jovens emigrantes e empresas a pagarem melhores salários. O líder do PS encerrou o congresso da Batalha a falar para as novas gerações e deixou um recado interno: não vale a pena acelerar o debate em torno da sucessão porque António Costa ainda não se vai reformar.

A primeira medida a inscrever já no próximo orçamento, assegurou, será um programa que fomente o regresso a Portugal de jovens emigrantes que saíram do País durante a troika. Depois, a médio prazo, o também primeiro-ministro lembrou que "não basta ter mais emprego, se queremos fixar as novas gerações temos de ter melhor emprego". Falando para a chamada geração 2030, Costa anunciou ainda que o Governo vai "limitar as contratações a termo" – ainda que na última reunião da concertação social o Governo tenha apresentado aos parceiros uma proposta de alargamento do período experimental. "O conjunto dos salários tem de convergir para a média europeia", insistiu. Costa até recuperou a imagem da rosa de Guterres como marca do fecho do congresso.

Com nomes como Pedro Nuno Santos e Fernando Medina na linha de possíveis sucessores na liderança – com o secretário de Estado a fazer uma espécie de pré-candidatura e a deixar o autarca um pouco na sombra –, Costa deixou o recado aos ‘jovens turcos’: "Aviso já que ainda não meti os papéis para a reforma."

Do irreal da direita à cópia da esquerda 
Os partidos da direita consideram que o discurso de António Costa foi irreal. Já a esquerda acusou o PS de estar a usar as imposições de BE e do PCP como se fossem medidas dos socialistas, para fazer campanha.

No CDS, Nuno Melo não gostou de ouvir António Costa dizer que o PS é melhor a fazer contas do que a direita e notou que neste Executivo estão "os mesmos ministros, secretários de Estado e assessores que até 2011 arruinaram as contas públicas do País e trouxeram a troika". Já pelo PSD, Nuno Morais Sarmento considerou que este PS "é, infelizmente para os portugueses, a garantia de que continuarão a ter um Governo que não é mais do que a soma do equilíbrio que em cada momento é possível conseguir entre três partidos".

À esquerda, a eurodeputada do BE Marisa Matias rejeitou a ideia de que o partido tenha sido anestesiado por António Costa, como sugeriu Francisco Assis. "Estamos sempre disponíveis para convergir com o PS", disse a eurodeputada bloquista. Do lado do PCP, Carlos Gonçalves, do comité central, acusou o PS de estar "amarrado às submissões do grande capital" e alertou para os riscos de uma maioria absoluta socialista em 2019.
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