Portugal reconhece também "o papel de António Guterres no combate às alterações climáticas e na defesa intransigente de uma agenda pela sustentabilidade e pela ação oceânica".
O primeiro-ministro cessante, António Costa, "despede-se" esta segunda-feira do secretário-geral da ONU, António Guterres, numa cerimónia em Nova Iorque, tendo destacado as mudanças significativas que o 25 de Abril proporcionou a Portugal no âmbito das Nações Unidas.
Em declarações aos jornalistas junto à sede da ONU, António Costa indicou que esta não só é uma oportunidade para se "despedir de António Guterres como secretário-geral das Nações Unidas", mas também para celebrar os 50 anos do 25 de Abril, frisando que a participação e a visão de Portugal no âmbito da ONU mudou drasticamente desde então.
"Nós estamos a celebrar os 50 anos do 25 de Abril e se houve algo que mudou significativamente com o 25 de Abril, teve a ver com a nossa participação nas Nações Unidas. Entre 1961 e 1974, Portugal foi objeto de mais de 50 condenações pelo Conselho de Segurança ou pela Assembleia Geral das Nações Unidas", assinalou.
"Hoje, felizmente, 50 anos depois, somos um país democrático, em paz, aberto ao mundo e que nos podemos orgulhar, não só de não estarmos isolados, como de termos um português como secretário-geral das Nações Unidas", acrescentou António Costa.
António Costa encontra-se esta segunda-feira com António Guterres em Nova Iorque, no âmbito da doação pelo Estado português de uma tapeçaria de Vanessa Barragão, denominada "Coral Vivo", à organização internacional.
A tapeçaria, que "celebra a importância e riqueza dos recifes de coral, um ecossistema com a maior biodiversidade do mundo", vai integrar a exposição permanente no edifício-sede das Nações Unidas e, com a doação, o Governo "pretende valorizar a participação ativa" do país na organização e o seu "papel cimeiro" na agenda dos oceanos, informou o gabinete de António Costa.
Ao mesmo tempo, Portugal reconhece "o papel de António Guterres no combate às alterações climáticas e na defesa intransigente de uma agenda pela sustentabilidade e pela ação oceânica", no ano em que se celebra o 30.º aniversário da Convenção do Direito do Mar da Organização das Nações Unidas (ONU).
Esta segunda-feira, Costa afirmou que esta tapeçaria representa também o compromisso de Portugal com os oceanos e com a preservação do planeta.
"Portugal é um país Atlântico, grande parte do seu território é mar e estamos muito empenhados na proteção dos oceanos, desde logo, como elemento fundamental para combater as alterações climáticas e os oceanos serem o grande regulador do clima, pela sua biodiversidade e pela capacidade que tem de fornecer alimentos a todos a nós", disse.
"E fazemo-los através de uma peça de uma jovem artista já nascida bastante depois do 25 de Abril e que constrói as suas tapeçarias com desperdício das fábricas de têxteis. Portanto, é uma forma de reutilizar e reciclar também o desperdício, e é um segundo compromisso que nós temos com aquilo que é a necessidade de preservar o nosso planeta", concluiu.
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