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Correio da Manhã

Política
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Costa e Negrão jogam apoios à mesa

Chegaram a estar agendados para o mesmo restaurante, mas, à última da hora, António Costa, candidato do PS, almoçou com Aquilino Ribeiro Machado, Jorge Sampaio e João Soares no Faz Figura e Fernando Negrão, do PSD, optou por se encontrar com Manuela Ferreira Leite no Chapitô.
23 de Maio de 2007 às 00:00
Fernado Negrão e António Costa
Fernado Negrão e António Costa FOTO: Andre Kosters / Mário Cruz/lusa
Enquanto, Jorge Sampaio, ex-presidente da República, pediu aos lisboetas para não penalizarem António Costa por causa da governação socialista, Manuela Ferreira Leite, que escolheu a ementa laranja do restaurante, exercitava o seu sentido de dever partidário com Fernando Negrão, lembrando-lhe as qualidades e o “gosto” de ser sua mandatária.
Do lado socialista, Jorge Sampaio pediu uma maioria para o candidato do PS às intercalares na autarquia lisboeta e apelou para que no acto eleitoral “não se julgue o Governo” porque “o que se está a passar em Lisboa é em Lisboa que está a acontecer, “não tem a ver com o Governo A ou B”, acrescentou. Sobre António Costa disse que é “o candidato necessário” para Lisboa “pela capacidade de liderança e conhecimentos sobre a cidade”. Motivos que o levam a considerar “essencial” a vitória de António Costa “face ao que se está a passar e ao que se passou na autarquia” nos últimos anos.
Neste sentido, Aquilino Ribeiro Machado, o primeiro presidente da Câmara de Lisboa eleito após o 25 de Abril, manifestou a sua convicção de que esta é a altura de “impor uma solução socialista” para a capital, “dada a situação quase dramática” que ali se vive.
Para João Soares os motivos que o colocam ao lado do candidato socialista são claros: “É capaz de impor rigor na gestão e tem a visão estratégica de que Lisboa precisa”, defendeu, acrescentando que a capital “vive uma situação de desnorte e de descalabro inacreditável”. Por fim, sublinhou: “António Costa é a escolha do PS, do engenheiro José Sócrates e é também a minha escolha”. Também o antigo presidente da República, Mário Soares, manifestou, de Brasília, o seu apoio ao candidato do PS.
Costa lamentou mais uma vez a indisponibilidade de outros partidos para uma coligação à esquerda. E pediu uma maioria estável.
Por seu turno, Ferreira Leite, que terá desaconselhado Negrão a manter intacta a equipa cessante, explicou aos jornalistas que o perfil e conduta do candidato lhe merecem confiança, preferindo não se pronunciar sobre a intenção inicial do líder do PSD de a convidar para ser a candidata às eleições de 15 de Julho.
Já Fernando Negrão desvalorizou o facto de o processo de escolha do seu nome não ter sido pacífico. “Ainda bem que o meu nome não é pacífico. Os nomes consensuais são sempre desinteressantes”, acrescentou o candidato, sublinhando que, no combate político “não há vacas sagradas”, a propósito da campanha vir a ser desigual contra Costa.
Negrão diz-se preparado para pagar a “factura” política de Lisboa e Ferreira Leite aproveitou a deixa para sublinhar que, no capítulo de facturas, é António Costa quem tem a mais pesada: a Lei de Finanças Locais.
Por fim, um comentário de Negrão sobre o passado: “Não conheço Carmona Rodrigues, é uma pessoa estimável, mas não o conheço”. Uma frase enigmática para cortar com o passado.
CARMONA É CANDIDATO
Carmona Rodrigues é candidato às intercalares na Câmara Municipal de Lisboa. O presidente cessante reuniu-se ontem com o seu núcleo duro, junto de quem, segundo apurou o CM, tomou a decisão de se recandidatar. Da lista do ex-autarca deverão constar Fontão de Carvalho, Remédio Pires e Gabriela Seara, que ainda ontem adiantou estar “com o professor em qualquer situação e condição”. Carmona, por seu turno, sem querer revelar a sua decisão antes do tempo, limitou-se a dizer que “é gratificante saber que há milhares de pessoas” que o apoiam e que isso lhe chega “para ponderar”. O resultado dessa reflexão é tornado público hoje em hora e local a determinar.
SANTANA LEMBROU OBRA FEITA
Numa das raras aparições em reuniões do partido, Santana Lopes participou dia 21 na assembleia distrital de Lisboa do PSD, presidida por Paula Teixeira da Cruz. O ex-primeiro-ministro lembrou aos presentes e, indirectamente, à líder da distrital para não esquecerem a obra feita na autarquia pelo PSD desde 2002. Depois, pediu unidade para as eleições intercalares.
Segundo relatos feitos ao CM do encontro, figuras críticas da actual direcção da distrital aproveitaram a reunião para defender que a equipa do candidato Fernando Negrão deve ser totalmente renovada. Foi o caso de Henrique de Freitas. A unanimidade só surgiu no apoio a Negrão.
Recorde-se que tanto Sérgio Lipari como António Prôa, ex-vereadores, lideram secções da capital. Na oposição interna, há quem já fale em consequências políticas para Paula Teixeira da Cruz, depois de 15 de Julho. Entretanto, José Faustino, vice-presidente da distrital, demitiu-se.
NOTAS SOLTAS
SUBVENÇÕES
O presidente da comissão de Assuntos Constitucionais, Osvaldo Castro, considerou ontem que ainda é possível alterar a lei de financiamento das campanhas para permitir a atribuição de subvenções públicas aos partidos e grupos de cidadãos que concorram às eleições em Lisboa. O porta-voz do PS, Vitalino Canas, manifestou-se disponível para alcançar uma solução no Parlamento.
SAÍDA AUTOMÁTICA
Nas empresas que dependem totalmente da Câmara Municipal, os conselhos de administração caíram automaticamente com a renúncia dos vereadores. Esta é a interpretação da ex-vice-presidente da Câmara de Lisboa, Marina Ferreira, que fazia parte do conselho de administração da EMEL. O mesmo se aplica, por exemplo, a José Amaral Lopes, na EGEAC.
CARLOS MARQUES
O deputado municipal do Bloco de Esquerda, Carlos Marques, defendeu ontem que a Câmara Municipal de Lisboa, após as eleições intercalares, deve exigir a reposição do dinheiro contabilizado pela Bragaparques na exploração do parque de estacionamento do Parque Mayer, nos últimos dois anos.
CATEDRAL DA CERVEJA
O candidato do PSD à Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Negrão, deverá reunir com apoiantes amanhã no restaurante Catedral da Cerveja, no Estádio da Luz.
INCÊNDIO
O deputado do CDS-PP, José Rui Roque, que se absteve na obtenção de um empréstimo para a Câmara de Lisboa, classificou o caso como “um pequeno balde num incêndio florestal”. E vaticinou: “No fim, vai tudo arder”.
RUBEN DE CARVALHO
O saneamento das finanças da Câmara e a revisão do Plano Director Municipal (PDM) serão as prioridades da CDU em Lisboa, segundo anunciou ontem o candidato comunista Ruben de Carvalho, que admitiu entendimentos pós-eleitorais.
ISALTINO MORAIS
O presidente da Câmara de Oeiras afirmou que o candidato do PS, António Costa, irá vencer as eleições.
LUÍS FILIPE MENEZES
O autarca de Vila Nova de Gaia prometeu “um período de apaziguamento” e garantiu apoiar Fernando Negrão.
HELENA ROSETA
O mandatário da candidatura de Telmo Correia acredita que o CDS-PP irá manter o lugar de vereador na autarquia.
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