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Política
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Costa insiste num pacto entre sindicatos e empregadores sobre crescimento e rendimentos

Primeiro-ministro dedicou discurso ao tema das políticas de rendimentos para os próximos quatro anos, na abertura do debate quinzenal, na Assembleia da República.
Lusa 13 de Novembro de 2019 às 15:38
António Costa
António Costa FOTO: Lusa
O primeiro-ministro considerou esta quarta-feira uma prioridade a celebração de um "pacto" entre os parceiros sociais para o desenvolvimento de políticas que aumentem a produtividade das empresas e o peso dos salários no Produto Interno Bruto (PIB).

António Costa falava na abertura do debate quinzenal, na Assembleia da República, num discurso que dedicou ao tema das políticas de rendimentos para os próximos quatro anos.

Na sua intervenção, o líder do executivo referiu que todos os parceiros sociais foram convidados "a negociar um acordo global sobre crescimento económico e política de rendimentos".

"Um acordo que, de forma equilibrada e responsável, permita contribuir para a melhoria da produtividade das empresas e aumentar o peso dos salários no PIB. Queremos, pois, celebrar um pacto para o crescimento, com mais investimento, melhor conhecimento e maior rendimento. Um pacto que garanta que todos beneficiam das oportunidades e do bem-estar proporcionados pelo crescimento económico, ao mesmo tempo que promove a modernização das empresas e a competitividade da nossa economia, nomeadamente através de uma forte aposta na inovação e no reforço da articulação entre os sistemas de formação e ensino e o tecido produtivo", justificou o primeiro-ministro.

Neste ponto, António Costa voltou a destacar a importância de haver uma valorização salarial dos jovens qualificados.

"Temos hoje em dia a geração mais bem preparada de sempre, mas infelizmente ainda não temos a remuneração mais justa de sempre. Aliás, desde a crise económica que o prémio salarial das qualificações, isto é, o acréscimo remuneratório de quem tem um maior nível de qualificação, tem vindo a diminuir, sobretudo para os mais jovens", criticou.

Na perspetiva de António Costa, "importa fixar um referencial para a contratação coletiva, definindo qual deve ser o prémio de qualificação aplicável não só a quem tem uma licenciatura, mas também a quem frequentou um curso técnico superior profissional ou possui uma certificação profissional".

Numa parte mais ideológica do seu discurso, o primeiro-ministro defendeu que "é imperioso alcançar uma repartição mais equitativa dos benefícios do crescimento económico".

"Impõe-se melhorar os rendimentos de quem trabalha. Necessitamos, pois, de um movimento generalizado de subida dos salários - movimento que só poderá ocorrer sendo assumido e partilhado tanto pelos sindicatos como pelos empregadores em diálogo social, com dinamização da contratação coletiva, assente na concertação social e num crescimento sustentado da economia e da solidez das empresas", sustentou.

Ainda em matérias laborais, António Costa colocou também como prioridades a garantia de "um horizonte de vida estável e previsível para quem trabalha" e a promoção de uma maior conciliação entre a vida pessoal, familiar e a atividade profissional.

"Esperamos, por isso, concluir em breve um acordo na concertação social quanto ao programa ?Três em linha', que apresentámos no final do ano passado e que contempla um vasto conjunto de medidas destinadas a assegurar um equilíbrio saudável entre o trabalho, a família e o lazer", acrescentou.

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