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Correio da Manhã

Política
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CRÍTICAS A PORTAS EMBARAÇAM DEUS

Logo após os primeiros passos nas ruas de Braga, o cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP ouviu as críticas mais duras desde que a campanha oficial começou.
4 de Junho de 2004 às 00:00
Pela primeira vez, João de Deus Pinheiro não conseguiu disfarçar o embaraço causado pelas críticas ao líder do CDS-PP e ficou sem resposta quando uma senhora se dirigiu a ele e afirmou: “Paulo Portas é um malcriadão. Nem devia ser ministro”.
A manhã do candidato até nem tinha começado mal. Ao som de dois acordeões, de uma guitarra portuguesa e de gongos, Deus Pinheiro iniciou a sua caminhada em direcção ao centro de Braga. Foi com grande energia e boa disposição que o candidato, acompanhado pelo eurodeputado do CDS-PP, Ribeiro e Castro, percorreu as lojas e as esplanadas, distribuindo bandeiras e autocolantes.
Entre sorrisos, beijinhos e os habituais cumprimentos, Deus Pinheiro apelou ao voto no próximo dia 13 de Junho. No entanto, alguns bracarenses não se contiveram e lançaram uma onda de insultos. “Vão-se embora. Vocês são os charlatões! Vão-se embora daqui para fora, volte para a universidade. Lembre-se dos pobres deste país, das crianças e dos pedófilos que agora andam a libertar”, gritou um popular. Os membros da comitiva tentaram acelerar o passo, mas logo a seguir, aparecia a tal senhora que lhe disse olhos nos olhos o que pensava de Paulo Portas.
Visivelmente incomodado com a situação, Deus Pinheiro afirmou aos jornalistas ser “natural este tipo de situações numa campanha. “As pessoas têm o direito de se exprimir. Foi para isso que se fez o 25 de Abril de 1974. Seria uma desgraça se houvesse unanimidade”, argumentou.
O certo é que já não é a primeira vez que, na campanha, se ouvem críticas a Portas. Até agora as pessoas esperavam que o candidato passasse e depois sussurravam o que lhes ia na alma. Ribeiro e Castro, por sua vez, levou as palavras mais a peito e declarou que “há uma estratégia muito clara da oposição”. Questionado sobre a possibilidade destes protestos serem preparados, Ribeiro e Castro afirmou que por vezes existem essas situações. “Mesmo quando são espontâneas, sabemos que existe uma linha política que tenta fracturar a coligação”, acrescentou.
MAIS
Apesar dos insultos, o candidato manteve a postura. Comprou uma lotaria e disse que, se ganhar, oferecerá o dinheiro a uma instituição de apoio a deficientes.
MENOS
O candidato falhou um encontro com os estudantes da Universidade do Minho, onde foi reitor, devido a uma falha da organização.
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