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Correio da Manhã

Política
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Debates no Parlamento estão mais agressivos

Os debates na Assembleia da República estão mais "agressivos", com intervenções mais "musculadas" às quais o "contexto" de crise não será alheio, concluiu a investigadora da Universidade do Minho (UMinho), Aldina Marques, após análise do discurso parlamentar. 
27 de Maio de 2013 às 13:20

A análise da docente concluiu também que a presidente da Assembleia da Republica (AR), Assunção Esteves, "permite bastante tolerância", assim como os seus antecessores, refere um comunicado da UMinho, enviado nesta segunda-feira à agência Lusa.

Aldina Marques aponta ainda que o atual primeiro-ministro e o atual Governo construíram uma "imagem claramente antagónica" à dos seus antecessores, sobressaindo uma "imagem de contenção emocional" no parlamento.

"Os debates da Assembleia da República são alvo de uma espiral de agressividade verbal, quer no tipo, quer na frequência, o que é transversal a todas as bancadas", afirma o comunicado da instituição universitária minhota.

O "tom agressivo", salienta o documento, "é particularmente visível nos apartes, em que há mais liberdade de linguagem e não são considerados interrupções", nos quais, "de forma sistemática, surgem aí a ironia, o sarcasmo, as provocações, para além dos típicos coros de suporte ao orador -- 'muito bem', 'apoiado' - de colegas de bancada".

Segundo o estudo referido, "alguns deputados chegam a cultivar essa agressividade com insultos 'ad hominem', acusando o adversário de 'mentiroso', por exemplo" e "Assunção Esteves, tal como os seus antecessores na presidência da AR, permite bastante tolerância aos deputados para construírem o discurso".

Para Aldina Marques a "agressividade" referida e a "tolerância" dos presidentes da AR resultam em "intervenções mais agressivas, embora não transgressoras dos códigos parlamentares".

Aldina Marques considera que "alguns líderes da oposição têm adotado esta prática mais musculada, de confrontar o adversário, a que não será alheia a tensão política criada pelo contexto de crise".

A docente da UMinho explica que "é também por aqui que se constrói a anti-imagem dos políticos. A descredibilização da classe política tem origem, também, mas não só, nos discursos que eles próprios constroem".

A investigadora chama ainda a atenção para o facto de Pedro Passos Coelho e o seu Governo terem vindo a construir "uma imagem claramente antagónica" à do antecessor José Sócrates.

"No atual Governo sobressai uma imagem de contenção emocional, construída em particular pelas vertentes não-verbais e paraverbais dos discursos", frisa a investigadora.

Alcina Mentes, esclarece a UMinho, analisa os discursos no Palácio de São Bento "há duas décadas", é professora do Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos e no Centro de Estudos Humanísticos na instituição.

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