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Correio da Manhã

Política
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DECISÕES SOBRE O IRAQUE SÓ EM 2004

George Robertson, secretário-geral da Nato termina o mandato em Dezembro e veio a Portugal despedir-se de Barroso. Eis um excerto de uma conversa com alguns jornais portugueses.
22 de Novembro de 2003 às 00:00
Correio da Manhã – Pensa que é possível a NATO desempenhar algum papel no Iraque similar ao do Afeganistão?
George Robertson – A Nato já está a envolvida na questão do Iraque. A Nato apoiou a Polónia que lidera uma força (zona centro sul). A Espanha é a segunda na cadeia de comando dessa força no Iraque. Foi uma das grandes decisões dos dezanove membros da Aliança Atlântica. Mas não há qualquer proposta para avançar mais no Iraque. E teria que se tomar uma grande decisão com os todos os membros da Aliança Atlântica.
– Mas ainda é possível um maior envolvimento da Nato?
– Não é possível, neste momento, porque a Nato está envolvida no processo de estabilização do Afeganistão (Força Internacional de Assistência e Segurança no Afeganistão). A minha visão como secretário-geral da Nato é a de que temos de estabilizar o território, caso contrário o Afeganistão ‘virá cá’, com todas as implicações de crime, refugiados e droga, para a Europa Ocidental. Esta é a nossa prioridade. No Ano Novo pode ser que a Polónia e Espanha digam “eis a nossa experiência” e possam apresentar as suas propostas.
– Acha que ainda existe uma relação respeitável de parceria entre a Rússia e Nato depois de tantas alterações no seu sistema de defesa?
– Sim, acredito. A Rússia está a tentar a modernizar o seu sistema de defesa. A maior parte da população aceita a Nato como um parceiro na guerra contra o terrorismo. Não existe uma demonização por parte da Rússia. É o oposto. Há duas semanas estive na Rússia. Nós estamos empenhados na cooperação.
– Deixa uma das maiores crises na Nato, com divisões da Europa e EUA. Vê futuro na Nato?
– Absolutamente. É um futuro essencial porque a Nato é essencial. Nenhuma outra organização poderia ter assumido um papel decisivo no Afeganistão, nenhuma outra organização poderia ter tido uma intervenção na guerra civil na Bósnia em 1995. Claro que há divergências. Sempre existiram. Portugal também faz parte dessas discussões. O Iraque afectou a Nato, tal como a União Europeia ou a Liga Árabe. Mas recuperámos rapidamente, apoiámos unanimemente a Polónia no Iraque. Portanto, não é uma organização paralisada pelas divisões. E temos um grande novo comando aqui em Lisboa (Oeiras), o resultado de parte da grande transformação na Aliança. Lisboa e Portugal beneficiarão desse novo comando. A Nato é uma organização que está bem implementada em Lisboa.
– E quanto à duplicação de forças militares entre a UE e a Nato?
– Temos que resolver esta divergência. A minha visão é que não devemos duplicar capacidades que já estão disponíveis. Temos que evitar qualquer desnecessária duplicação.
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