Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
7

Defesa da oposição

O ex-Presidente da República Jorge Sampaio defende mais meios para a investigação criminal e o reforço do estatuto da oposição numa maioria absoluta. “As oposições têm feito um trabalho esforçado”, mas “gostaria de ver a oposição com um estatuto mais claro”, afirmou, defendendo a “necessidade dos direitos de oposição”.
15 de Outubro de 2006 às 00:00
Jorge Sampaio defende mais meios para a investigação criminal e direitos para a oposição
Jorge Sampaio defende mais meios para a investigação criminal e direitos para a oposição FOTO: Horacio Villalobos, Epa
“O País precisa de saber se há alternativas ou se há consensos. É difícil escolher o trilho da oposição quando há maioria absoluta”, sublinhou em entrevista à Antena 1.
Na entrevista, transmitida ontem, Jorge Sampaio defende mais meios para a investigação criminal, nomeadamente laboratórios da polícia científica mais bem dotados, para fazer face à criminalidade sofisticada.
“Quando se lida com uma criminalidade mais evoluída é preciso saber os meios que existem”, referiu, lembrando que a investigação “exige grandes esforços e meios”.
Para o ex-chefe de Estado há com frequência acusações sem condenações, pois “há um problema de meios ligados às possibilidades de sucesso”, considerou.
A entrevista à Antena 1 foi transmitida ontem mas gravada quarta-feira, dia em que o Ministério da Justiça anunciou que a proposta de orçamento para 2007 contempla um aumento efectivo de 3,1 por cento do orçamento da Polícia Judiciária, face ao que a PJ recebeu este ano.
Falando do ex-procurador-geral da República, Souto Moura, Sampaio disse não ter pensado em demiti-lo quando do caso do ‘envelope 9’ mas especificou que o que pediu foi que “fosse feito um esclarecimento”.
Sobre e entrada da Turquia na União Europeia, o ex-Presidente da República mostrou-se favorável, considerando que “a questão turca é decisiva, mas vai demorar tempo, e a opinião pública na Turquia está a ficar descrente da Europa”. Pediu por isso aos cidadãos e decisores que “não precipitem as coisas na Turquia” e defendeu ainda a necessidade de “pluralismo na Europa”.
Num regresso ao passado, Sampaio classificou a sua vida – política e pessoal – como “serviço cívico com prazo certo”. Contudo, sublinhou que não tenciona afastar-se do papel cívico e que vai tentar desempenhá-lo o melhor possível.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)