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Correio da Manhã

Política
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DEMAGOGIA E MÁ-FÉ

O Governo reagiu ontem com indignação às acusações de José Sócrates, candidato à liderança do PS, sobre uma série de nomeações para os diversos gabinetes ministeriais publicadas na terça-feira no 'Diário da República'. O ministro do Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva, assumiu a defesa do Governo acusando o dirigente socialista de "demagogia e de má-fé".
23 de Agosto de 2004 às 00:00
Rui Gomes da Silva (ao centro) diz que Sócrates tem falta de seriedade
Rui Gomes da Silva (ao centro) diz que Sócrates tem falta de seriedade FOTO: Jorge Paula
José Sócrates, ex-ministro do Ambiente do último Governo de António Guterres, considerou, anteontem à noite, que a contratação de uma série de pessoal para os diversos cargos de apoio ao Governo era "vergonhoso e chocante, ainda por cima numa altura em que a despesa pública está a derrapar, como o próprio ministro das Finanças admitiu".
Ontem, através da Lusa, Rui Gomes da Silva respondeu à letra: "Estranha-se a falta de seriedade [de José Sócrates] de quem sabe que, nos termos da lei, o facto de o Governo ter mudado obriga à exoneração dos membros de todos os gabinetes e a nomeações. A maior parte das nomeações feitas agora resulta da recondução de pessoas, nomeadamente de funcionários públicos com funções nos gabinetes anteriores".
Ou seja, para o ministro dos Assuntos Parlamentares, as acusações ao Governo não são "nada sérias", são "muito demagógicas", porque a composição dos gabinetes ministeriais, nomeadamente a contratação de secretárias, motoristas e adjuntos está fixada na lei. Assim, e no seu entender, só pode tratar-se de "má-fé ou de uma tentativa para evitar comparações com o número verdadeiramente escandaloso de nomeações feitas no mandato do engenheiro Guterres, quando Sócrates era ministro".
Para Rui Gomes da Silva, os comentários de José Sócrates fazem passar a ideia de que o Governo está a colocar somente militantes do PSD para os cargos de apoio ao Governo, o que é "completamente falso". E deu exemplos de que assim não é : "Dos 70 a 80 quadros da Presidência do Conselho de Ministros, apenas 10 são militantes do PSD".
O ministro deu ainda outro exemplo que, em sua opinião, ilustra bem a alegada falta de seriedade das críticas do candidato a secretário-geral do PS: o gabinete do primeiro-ministro pode nomear 40 pessoas, mas houve apenas 24 nomeações, o que significa que está "com 60 por cento do que permite a lei orgânica".
Este é mais um episódio da cíclica polémica dos 'jobs for the boys'. E, como o processo de formação dos gabinetes ministeriais ainda não terminou, esperam-se as cenas dos próximos capítulos.
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