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Correio da Manhã

Política
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Demissão no regresso da Índia

Nuno Melo pode demitir-se da liderança do grupo parlamentar do CDS-PP já na quinta-feira, assim que regressar da Índia, país onde se deslocou para a acompanhar a visita de Estado do Presidente da República, Cavaco Silva, apurou o CM.
15 de Janeiro de 2007 às 00:00
Segundo a nossa fonte, na véspera da viagem para a Índia (na passada segunda-feira), o líder do CDS, José Ribeiro e Castro, reuniu-se com Nuno Melo e pediu-lhe que se demitisse da liderança do grupo parlamentar. O deputado terá respondido a Ribeiro e Castro que só se demitia quando regressasse da Índia, ou seja, na próxima quinta-feira.
Confrontado com estas informações, Nuno Melo declarou ontem ao CM, que estava na Índia e que “só falava sobre visita do Presidente”. “Até quinta-feira estou em ‘black out’”, acrescentou. Na verdade, o deputado tem agendada para esse dia uma reunião com o grupo parlamentar. Também Ribeiro e Castro, contactado ontem pelo nosso jornal, se recusou a prestar declarações sobre o assunto.
O CM sabe, no entanto, que Ribeiro e Castro quer ter mais intervenção na actividade parlamentar do partido, tendo pedido um gabinete, um assessor para fazer a ligação entre a direcção do partido e o grupo parlamentar e, ainda, determinar os assuntos em discussão no Período Antes da Ordem do Dia (PAOD) na Assembleia.
CASTRO QUE "MAGISTRATURA DE EXIGÊNCIA"
O líder do CDS-PP instou o Presidente da República, Cavaco Silva, a exercer “uma magistratura de exigência” num ano em que o Governo deve privilegiar o crescimento da economia. “O País está numa situação difícil, muito difícil, em que precisa – com o professor Cavaco Silva dá sinais de o estar a fazer – de um Presidente da República um pouco mais à frente da simples e clássica ‘magistratura de influência’, um Presidente que exerça uma ‘magistratura de exigência’”, afirmou Ribeiro e Castro, sábado em Albergaria-a-Velha.
O líder do CDS recordou a linha do mandato presidencial, traçada por Cavaco Silva na sua tomada de posse, definida com duas expressões: “cooperação estratégica” e “estabilidade dinâmica”. “O cruzamento destas duas linhas dá a ‘magistratura de exigência’ a que me referi. Um Presidente que garante ao Governo e ao País lealdade e cooperação institucional, mas que está atento, que conhece as dificuldades e os desafios com que Portugal se confronta”, disse.
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