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Correio da Manhã

Política
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Deputada apanha fungo

A deputada social-democrata Maria Ofélia Moleiro esteve 15 dias em repouso absoluto por causa de um fungo que lhe terá provocado uma infecção pulmonar. O problema de saúde ocorreu no mês de Junho e a parlamentar queixou-se ao presidente da Assembleia da República. Em causa estaria o ar condicionado. Os serviços parlamentares analisaram o caso e concluíram que, aparentemente, não haverá uma relação causa-efeito entre o estado de saúde da deputada e as condutas de ar. Ainda assim e “para dissipar todas as dúvidas”, deverá ser pedido ao Instituto Nacional Ricardo Jorge (INSA) análises da presença de legionella no Hemiciclo.
26 de Julho de 2006 às 00:00
Deputada apanha fungo
Deputada apanha fungo FOTO: Jordi Burch
Esta é uma das sugestões da direcção de Serviços Administrativos e Financeiros, Divisão de Aprovisionamento e Património da Assembleia, que aponta também a necessidade de se protocolar análises periódicas ao INSA da “qualidade do ar e da água (...) nos quatro edifícios da Assembleia da República”. Conclusões de um relatório que serão, agora, submetidas ao conselho da administração do Parlamento.
Num vasto documento, onde são referenciados todos os procedimentos técnicos feitos pelos serviços do Parlamento, explica-se que a manutenção das condutas de ar do Hemiciclo é realizada periodicamente pela empresa ACIT.
No edifício novo do Parlamento, por exemplo, é a Siemens que faz a respectiva manutenção das torres de arrefecimento. As “análises de água para despiste da presença da legionella (...) têm sido negativas relativamente a várias estirpes de bactérias, inclusive a legionella”, prosseguem os responsáveis dos serviços parlamentares, reportando-se a um relatório de Abril deste ano.
O Hemiciclo tem uma bateria de arrefecimento/aquecimento por água quente e fria, que funciona em circuito hermético. A contextualização técnica é dada pelos serviços da Assembleia que recorrem a relatórios da Organização Mundial de Saúde sobre a infecção da legionella para concluírem que no sistema de ar condicionado do Plenário não se verifica “qualquer contacto entre o ar introduzido no Hemiciclo e água, “o que torna pouco provável a contaminação”.
Ofélia Moleiro garantiu a 14 de Julho que os médicos que a acompanharam apontavam para o ar condicionado do Parlamento como causa do seu estado de saúde. Quando se queixou a Jaime Gama, assegurou que iria fazer chegar o seu relatório médico e respectivas análises clínicas. Na altura, segundo a Rádio Renascença, uma empregado do bar também estava de baixa.
O CM tentou contactar a deputada, mas sem sucesso.
PERFIL
Maria Ofélia Moleiro, 57 anos, economista, eleita pelo círculo eleitoral de Leiria, esteve 15 dias em repouso no início do mês de Junho na sequência de uma infecção pulmonar. É deputada desde 2002, presidente da concelhia de Pombal e presidente do Lions Clube de Pombal.
O QUE DIZ O RELATÓRIO
SISTEMA
O Hemiciclo tem condutas de captação de ar novo a partir do exterior da clarabóia, uma unidade de tratamento de ar novo, instalada há cerca de um ano, condutas de insuflação de ar na Sala das Sessões e extracção de ar quente.
MANUTENÇÃO
No Plenário é efectuada uma limpeza mensal de pré-filtros de ar novo, limpeza de turbinas anual, lavagem semestral interior das baterias de aquecimento e arrefecimento com bactericidas e fungicidas dos sistemas de ar condicionado.
GABINETE
Nas sugestões feitas pelos serviços do Parlamento inclui-se um despiste de legionella ao gabinete da deputada Ofélia Moleira, situado no edifício novo, servido, de acordo com o documento, por um sistema diferente do Plenário.
PLENÁRIO NO SENADO EM 2007
A Assembleia da República deve lançar um concurso público para melhorar as condições de trabalho do Hemiciclo já este Outono. A garantia foi dada ontem ao CM pelo presidente do Conselho de Administração do Parlamento, José Lello. As obras podem arrancar em Junho de 2007 e obrigarão os deputados a trabalhar na Sala do Senado durante cerca de cinco meses, segundo o ‘Diário Económico’.
Questionado sobre se as obras poderão chegar a 500 mil euros, o também deputado socialista respondeu: “Não. Estará longe disso.” Para já, existe um pré-projecto que requer um parecer positivo do IPPAR, dado que o Hemiciclo é um espaço classificado por aquela entidade.
Em causa está a instalação de um novo sistema de ar condicionado, bem como de uma base metálica antifogo sob as tribunas onde se sentam os parlamentares. Processos com mão-de-obra muito especializada.
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