A Dinamarca toma hoje posse à frente da União Europeia, com a necessidade de conseguir pelo menos um sucesso nos assuntos considerados “quentes” em debate entre os Quinze, nomeadamente na questão do alargamento ao Leste, previsto para 2004.
Para já, a presidência dinamarquesa não começou da melhor maneira, uma vez que viu os seus planos para os próximos seis meses serem drasticamente alterados na sequência das decisões saídas do Conselho Europeu de Sevilha.
No total, 180 reuniões serão levadas a cabo durante a presidência dinamarquesa da UE, seguidas de perto por uma força policial preparada para ser “tolerante, mas firme”. As localidades que vão acolher as reuniões esperam conseguir bons lucros e mais dinamarqueses que nunca estão de acordo com a adesão do país à UE.
A quinta presidência dinamarquesa da UE será a mais complicada, em grande parte por causa das decisões adoptadas durante o Conselho de Sevilha, que requerem acção imediata e, como tal, interferem na agenda de trabalhos inicialmente delineada pelo primeiro-ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen. Além disto, a Europa precisa de alcançar progressos significativos na áreas da Defesa e Justiça e Assuntos Internos, nas quais, Copenhaga não tem qualquer poder, por ter optado se afastar.
Além de ter de alterar as datas das reuniões dos conselhos, devido às reformas adoptadas em Sevilha, a presidência dinamarquesa será a primeira a levar a cabo cimeiras à porta aberta, uma vez que os Quinze decidiram que as reuniões de ministros destinadas a tomar decisões no âmbito do processo de co-decisão - juntamente com o Parlamento Europeu - devem poder ter a assistência do público.
DE COPENHAGA A COPENHAGA
Seja como for, a principal prioridade de Rasmussen e do seu governo mantém-se inalterada: o alargamento, cujos critérios foram definidos em Copenhaga, em 1993, o que leva os dinamarqueses a atribuir grande importância ao desfecho positivo das negociações durante a sua presidência.
O primeiro-ministro dinamarquês que se comprometeu a garantir a adesão de dez países de Leste à UE, mas vai encontrar sérios obstáculos pela frente. Consciente das dificuldades, Rasmussen fez já saber que “nenhum país ou líder político pode bloquear ou adiar o alargamento” e frisa que a adesão do Leste à UE “será feita agora ou nunca”. Assim, o primeiro-ministro dinamarquês, vai levar a cabo uma campanha destinada a instar os seus parceiros a colocarem de lado os interesses nacionais a favor do interesse comum, ou seja, a conclusão das negociações com os países candidatos que demonstraram ser capazes de cumprir os critérios de adesão.
Não será, porém, fácil persuadir o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, a ceder e a concordar com a concessão de ajudas directas aos agricultores dos países candidatos. Para já, a questão está adiada até Outubro, uma vez que Schroeder se recusou a comprometer-se com alguma decisão antes das eleições de Setembro na Alemanha.
Apesar de tudo, vários analistas afirmam que Rasmussen tem boas possibilidades de ser bem sucedido e ele próprio está optimista e confiante no êxito.
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