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Correio da Manhã

Política
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Direita não perdoa deriva à esquerda de Freitas

O regresso de Freitas do Amaral à política activa está marcada por uma onda de críticas. Para além de ter sido o principal alvo da oposição no debate sobre o Programa do Governo, o ministro dos Negócios Estrangeiros viu ontem suspensa a sua inscrição no Partido Popular Europeu (PPE), justamente por integrar o Governo PS.
23 de Março de 2005 às 00:00
Freitas do Amaral considera injusta a sua suspensão do PPE
Freitas do Amaral considera injusta a sua suspensão do PPE FOTO: António Cotrim
Ontem, no discurso de encerramento do debate, o próprio primeiro-ministro foi obrigado a defender o ministro dos Negócios Estrangeiros, quando deixou claro que “houve até quem se apresentasse neste debate mais apostado em fazer críticas pessoais, marcadas pelo despeito e pelo ressentimento”, uma alusão nítida às críticas do PSD e do CDS-PP ao ex-líder democrata-cristão.
Depois da retirada do seu quadro da sede do CDS-PP e das críticas à sua posição sobre a política externa dos Estados Unidos, Freitas do Amaral enfrenta agora uma provável expulsão do PPE, que ontem suspendeu a sua inscrição por considerar a sua militância “incompatível” com o cargo que ocupa no Governo. Para o líder do PPE, António López-Istúriz,“nenhum membro tomou uma decisão deste calibre até à data: fazer parte de um governo socialista. Esta decisão é não só uma mensagem para ele, mas também para futuros casos como este”.
“Acho injusto”, disse ontem Freitas do Amaral, à saída do debate do Programa do Governo. O ministro garantiu que vai explicar ao presidente do PPE a sua participação no Executivo socialista. “Teria pena se o PPE, numa manifestação de intolerância, quisesse controlar e condicionar as opções políticas de cada um”, afirmou. A decisão da expulsão será tomada em finais de Junho.
Desde que se soube que ia para ministro dos Negócios Estrangeiros, o tom das críticas a Freitas do Amaral aumentou. Paulo Portas acusou-o de ter uma posição contrária à do seu primeiro-ministro no que concerne a política externa. E Marques Guedes, do PSD, acusou-o de ter comparado George W. Bush a Hitler. “É mentira, nunca o fiz”, garantiu o governante.
RETRATO JÁ FOI ENTREGUE NA SEDE DO PS
Freitas do Amaral já deverá ter recebido, ou estará a receber o seu quadro que a direcção do CDS-PP retirou da sua sede e enviou para a sede do PS. O Correio da Manhã apurou junto de fonte segura que o retrato foi entregue na sede do PS, no Largo do Rato em Lisboa, no final da semana passada, pela empresa ‘Express Mail’ e que estava endereçado ao ministro dos Negócios Estrangeiros.
O CM procurou saber junto do PS e do Ministério dos Negócios Estrangeiros se Freitas do Amaral já teria recebido o quadro, mas tal foi impossível até ao fecho desta edição. A direcção do CDS-PP decidiu retirar a fotografria e enviá-la ao PS, depois de Freitas do Amaral ter decidido integrar o Governo de José Sócrates. Para Mota Soares, secretário-geral do CDS-PP, “Freitas do Amaral tem prejudicado o CDS e não faz sentido que tenha a sua fot o na sede do partido”.
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