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Correio da Manhã

Política
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Direita sobe o tom crítico contra PCP devido ao congresso

PSD e do CDS apontam baterias a comunistas, devido à realização do congresso em pleno Estado de Emergência.
João Maltez 23 de Novembro de 2020 às 01:30
Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa FOTO: TIAGO PETINGA/LUSA
Os dirigentes dos partidos de direita, em particular do PSD e do CDS, subiram nos últimos dias o tom crítico contra o PCP por causa da realização, no próximo fim de semana, em pleno estado de emergência, devido à Covid-19, do XXI congresso nacional do partido. Jerónimo de Sousa, secretário-geral comunista, fala em preconceito e assegura que o pavilhão Paz e Amizade, que receberá a reunião magna do partido, terá as necessárias condições de segurança.

“Nós não somos tontos. Se não estivessem criadas condições não o faríamos”, mas elas existem para o “exercício de um direito político importante”, disse o líder dos comunistas numa entrevista à Lusa.

Para Jerónimo de Sousa, não se pode pôr em oposição “as medidas de segurança que vão ser necessárias e o exercício das liberdades”, remetendo depois para a realidade que vigorava no regime do Estado Novo, que os comunistas combateram.

“Tivemos essa experiência durante 48 anos e o povo português não gostou nada disso”, afirmou Jerónimo, sublinhando que não receia a incompreensão da opinião pública por os comunistas se reunirem em congresso quando parte dos cidadãos está sujeita a restrições de deslocação e obrigada a recolhimento durante o fim de semana em que se realiza o congresso.

Além disso, a questão da perceção negativa que a iniciativa dos comunistas poderá causar junto da população tem sido um dos argumentos utilizados pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, quando confrontado com iniciativas políticas do PCP, cuja realização envolve maior número de pessoas. De resto, como sucedeu relativamente à festa do Avante.

Na opinião de Jerónimo de Sousa, contudo, a reunião magna dos comunistas no próximo fim de semana é uma forma de mostrar que “é possível manter a atividade”. Mais, adiantou à Lusa, é igualmente um modo de evidenciar que “não está tudo perdido, que é possível, além das medidas, retomar uma coisa que se está a perder, a esperança, a esperança de uma vida melhor”.

Rio acusa Governo de estar a proteger os comunistas
O presidente do PSD, Rui Rio, recorreu ao Twitter para acusar o Governo de "proteger o PCP" e de recusar "tratar todos os portugueses por igual", ao permitir a realização do congresso comunista enquanto vigor o estádio de emergência.

Jerónimo pede "outro caminho"
O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, advertiu o Governo de que deverá encontrar "outro caminho" que não acentue medidas repressivas para combater a pandemia, notando uma degradação do exercício de direitos em particular no mundo laboral.

PORMENORES
Continuar na liderança
O líder comunista, Jerónimo de Sousa, admitiu, implicitamente, em entrevista à Lusa, continuar como secretário-geral do PCP no congresso de Loures.

Comité central reduzido
A proposta para a composição do comité central do PCP prevê "uma redução" no número de membros (atualmente são 144) e a inclusão de mais mulheres.
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