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Correio da Manhã

Política
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DURÃO BARROSO E ERDOGAN DIVIDIDOS

A eventual inclusão de uma referência ao legado cultural cristão na futura Constituição da União Europeia opôs o primeiro-ministro Durão Barroso ao seu homólogo turco, Recep Erdogan, que ontem esteve em Lisboa.
3 de Julho de 2003 às 00:00
O Governo português defende que a importância do cristianismo na história da Europa deve ficar bem definida na futura Constituição. Opinião que não é partilhada por Erdogan, líder de um país maioritariamente muçulmano.
"Não vai haver nenhuma referência ao cristianismo e o primeiro-ministro Durão Barroso pode dizer a mesma coisa", afirmou o chefe do governo turco ao responder a uma pergunta durante a conferência de Imprensa que se seguiu a uma reunião com o seu homólogo português. "Pode haver propostas nesse sentido, mas elas não foram aceites porque vão contra todos os princípios da construção europeia. A União Europeia não é uma união cristã nem uma união geográfica, é uma união de critérios políticos", argumentou Erdogan.Uma conferência inicialmente prevista para se realizar num salão no Palácio de SãoBento, mas que teve de ser transferida para os jardins, depois do quadro eléctrico ter ido abaixo.
Durão, que tem insistido na necessidade da referência ao cristianismo enquanto "contribuição essencial para a identidade europeia", sentiu necessidade de "clarificar" a sua posição e explicou que "Portugal tem defendido que a UE é uma organização laica", mas "outra coisa é saber se pode haver uma referência às raízes religiosas da Europa, de um ponto de vista histórico e cultural", que o Governo apoia.
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