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Correio da Manhã

Política
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"É sempre boa altura para rever a Constituição"

O presidente do grupo Impresa e antigo primeiro-ministro, Francisco Pinto Balsemão, disse hoje acreditar que é sempre possível rever a Constituição da República, mas que há coisas mais importantes neste momento.
30 de Outubro de 2012 às 21:25
Francisco Pinto Balsemão disse, em relação às funções actuais do Estado, que "é difícil manter um conjunto de privilégios"
Francisco Pinto Balsemão disse, em relação às funções actuais do Estado, que 'é difícil manter um conjunto de privilégios' FOTO: Duarte Roriz

"Talvez também fosse altura de se repensar o sistema de governo que temos. Era com certeza a altura de rever a lei eleitoral. Acho que é sempre boa altura para rever a Constituição. Talvez neste momento haja tarefas mais urgentes", disse Pinto Balsemão, antes do jantar de apresentação de iniciativas do jornal ‘Expresso’, no âmbito do 40.º aniversário do semanário.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou na segunda-feira que a revisão da Constituição não é uma pré-condição para a reforma do Estado e recusou dar exemplos de medidas a incluir nessa reforma, para não condicionar o diálogo com o PS.

"Não sei se esta é a boa altura, mas acho que a Constituição Portuguesa está um bocado datada, foi feita em determinadas circunstâncias, correspondendo a um acordo que havia entre as várias forças políticas da altura e que deveria ser consideravelmente aligeirada", disse aos jornalistas o antigo dirigente social-democrata.

Questionado sobre os detalhes do que devia ser "aligeirado", Pinto Balsemão referiu-se a "aspectos mais ideológicos", que no seu entender "não devem estar na Constituição".

No passado sábado, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, incitou o PS a aproximar as suas posições da maioria, com o objectivo de "reformar o país", e considerou que isso não depende de uma revisão da Constituição, que também não exclui.

Francisco Pinto Balsemão disse, em relação às funções actuais do Estado, que "é difícil manter um conjunto de privilégios", referindo-se aos quatro mil milhões que Pedro Passos Coelho disse serem necessários cortar do lado da despesa.

"As pessoas aguentarão mais ou menos austeridade se virem luz ao fundo do túnel", disse o fundador do Partido Social-Democrata.

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