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Correio da Manhã

Política
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Economia domina cimeira

José Sócrates, primeiro-ministro português, e José Luis Zapatero, primeiro-ministro espanhol, encontram-se pela segunda vez, numa altura em que o fantasma do ‘iberismo’ ressurgiu pela voz do ministro das Obras Públicas, Mário Lino. As comitivas governamentais têm na agenda da 22.º Cimeira Luso-Espanhola, a realizar na próxima sexta-feira e sábado, em Badajoz, a discussão de temas prioritários como a investigação e o desenvolvimento tecnológico.
20 de Novembro de 2006 às 00:00
Um ano depois da última cimeira, realizada em Novembro de 2005, em Évora, o mercado ibérico de electricidade (MIBEL) irá ser revisto, nomeadamente no que se refere às trocas de energia entre os dois países. António Castro Guerra, secretário de Estado da Indústria e Inovação, espera ainda que do encontro saia um entendimento relativo a um modelo conjunto de gestão do Operador de Mercado Ibérico.
No final dos dois dias de trabalho, Portugal e Espanha deverão já ter concertado posições quanto a uma aliança estratégica de cooperação internacional. Os dois países têm interesses comuns em diversos locais, como acontece em Cabo Verde ou Timor, que querem agora articular.
Espanha é o primeiro parceiro comercial português desde 1995 e representa actualmente 27 por cento das nossas exportações e 29 por cento de importações. Portugal tem neste momento mais de três mil empresas espanholas a operar no seu mercado interno. Porém, apenas 400 empresas portuguesas operam no outro lado da fronteira.
Para Fernando Faria de Oliveira, presidente do Banco Caixa Geral em Madrid, existem diferenças culturais que conduzem a distintos modos de actuação na economia. Ambição e confiança, capacidade de decisão, assunção de risco e eficácia são alguns dos pontos em que os empresários portugueses e espanhóis divergem. E deu o exemplo das pequenas e médias empresas espanholas, responsáveis por 73 por cento do emprego privado. Convidado da Conferência Internacional de Lisboa, Faria de Oliveira apelou ainda à criação de pólos industriais e económicos ibéricos e à construção de uma marca que represente os países como certificado de qualidade.
BANCA TEM QUOTA DE 0,5%
Fernando Faria de Oliveira é o actual presidente do Banco Caixa Geral em Madrid. A integração e o desenvolvimento da Caixa portuguesa em Espanha constam da agenda diária do banqueiro, que pretende conquistar uma posição confortável no mercado espanhol.
Implantada em território espanhol desde 1991, a Caixa Geral de Depósitos tem actualmente 190 balcões abertos, mas espera aumentar o volume de transacções económicas. Faria de Oliveira pretende que a instituição seja o melhor parceiro de banca das empresas portuguesas em Espanha e das empresas espanholas em Portugal.
A quota da banca portuguesa no mercado espanhol representa apenas 0,5 por cento. No entanto, os bancos espanhóis assumem em Portugal uma quota de mercado de 15 por cento, dos quais onze são referentes apenas ao Banco Santander, que é actualmente o maior banco europeu. A internacionalização da Caixa portuguesa é descrito por Faria de Oliveira como um “20 de sucesso e dinâmica de integração”. Mas reconhece as dificuldades em conquistar novos clientes.
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