Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
5

Embrulhada no CDS

O que é que prevalece: uma decisão de um Conselho Nacional ou um requerimento de mais de mil militantes? Esta foi a questão que dominou ontem todo o debate do órgão máximo entre congressos no CDS-PP, realizado em Óbidos. Uma discussão que levou Paulo Portas a ameaçar Maria José Nogueira Pinto, presidente da mesa do Conselho Nacional, com uma moção de censura, secundado por Telmo Correia num confronto de argumentos aceso. O ex-líder terá lembrado se não era necessário “devolver a voz ao plenário”.
19 de Março de 2007 às 00:00
Paulo Portas chegou ao Conselho Nacional e fez questão de cumprimentar Ribeiro e Castro e todos os conselheiros com poder de voto
Paulo Portas chegou ao Conselho Nacional e fez questão de cumprimentar Ribeiro e Castro e todos os conselheiros com poder de voto FOTO: Paulo Cunha, Lusa
No fim de contas, foi tudo a votos: um requerimento da distrital de Leiria, com cerca de 1500 assinaturas a propor um congresso estatutário e um outro, dos portistas, com três hipóteses: inscrição de directas e depois um congresso, um conclave estatutário e um electivo.
Perante os factos, por volta das 20h00, o vice-presidente do partido, Borges de Freitas, recordava que o requerimento, afecto à direcção, prevalecia sobre tudo o resto.
Do outro lado, dizia-se que não e, ao fecho desta edição, os conselheiros, já cansados, ainda não tinham votado numa reunião de sete horas repleta de imbróglios jurídicos, interpretações múltiplas e pouco debate sobre o futuro do CDS-PP.
Num dos Conselhos Nacionais mais participados dos últimos dez anos, o CDS-PP começou por debater à hora de almoço – os conselheiros só comeram sandes – se era ou não admitido o requerimento de cerca de 1500 militantes para convocar um congresso extraordinário, estatutário, entenda-se, para inscrever as directas.
Maria José Nogueira Pinto queria admitir à mesa o documento. Telmo Correia, apoiante de Portas, recorreu. No primeiro ‘round jurídico’ a vantagem foi para Portas com 147 votos contra a votação do referido requerimento e 73 a favor da posição da actual direcção.
Seguiram-se as intervenções de Ribeiro e Castro e Portas. O primeiro defendeu que se os militantes querem directas, então deve-se avançar para um congresso estatutário. E um congresso electivo, precedido de directas, dentro de seis meses.
Portas fez uma intervenção a responder aos ataques de Ribeiro e Castro, e recordou o facto do actual líder ter rasgado o cartão de militante quando saiu derrotado em congresso contra Adriano Moreira.
Nogueira Pinto recusou, depois, a proposta de alteração de estatutos de Portas, para serem consagradas em definitivo as directas, alegando que o texto deveria ter sido entregue cinco dias antes do Conselho Nacional. O debate esteve ao rubro durante uma hora, suspendeu-se por quinze minutos e foi retomado.
REACÇÕES
"REQUERIMENTO DEVE PREVALECER" (Martim Borges de Freitas, Sec.-geral)
O secretário-geral do CDS-PP, Martim Borges de Freitas, defendeu ontem que o requerimento assinado por mais de 1400 militantes que impõe a realização de um congresso prevalece sobre uma eventual decisão dos conselheiros nacionais a favor das directas. “Na nossa opinião é claro como água, não podem passar um atestado de menoridade aos militantes”, disse.
"A DECISÃO CABE AO CONSELHO" (Telmo Correia, Deputado)
“Se este conselho nacional tomar uma posição sobre as directas, vai haver directas”, disse ontem Telmo Correia. O deputado salientou ainda que “o Conselho Nacional tem legitimidade para decidir”. Já o requerimento que pedia um congresso, segundo Telmo Correia, terá de ser apreciado noutro momento, uma vez que não estava na ordem de trabalhos.
"CONTRADIÇÕES SUCESSIVAS" (João Almeida, Líder da JP)
O líder da Juventude Popular considerou ontem que “se o conselho [nacional] abriu um ponto de discussão, é porque pressupõe a aceitação da alteração de estatutos, consagrando as directas”. O dirigente classificou o ritmo do Conselho Nacional por “contradições sucessivas”, lembrando que aquele órgão partidário é soberano.
"RESPEITAR VONTADE DOS MILITANTES" (Pedro Melo, Comissão Executiva)
O dirigente do CDS-PP, membro da Comissão Executiva, afirmou ontem ao CM que se deve “respeitar a vontade dos militantes, que está assente numa base estatutária expressa no artigo 39 e que quem tem o poder de convocar o congresso é o Conselho Nacional ou mil militantes”. O requerimento foi apresentado antes, por isso, “tem prevalência”.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)