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Correio da Manhã

Política
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Empresas a peso de ouro

O próximo presidente da Câmara Municipal de Lisboa vai ter pela frente, para além da dívida de quase 1300 milhões de euros, um sério problema com o financiamento das actuais 13 empresas municipais: até 2010 a transferência de verbas do orçamento camarário para as actuais 13 empresas do município ascende, segundo o plano plurianual de investimentos aprovado pela anterior equipa camarária, a 2,65 milhões de euros, dos quais 850 mil euros serão transferidos em 2007.
2 de Julho de 2007 às 00:00
Município deu 53,3 milhões de euros em subsídios entre 2003 a 2006
Município deu 53,3 milhões de euros em subsídios entre 2003 a 2006 FOTO: Manuel Moreira
As grandes opções do plano para o período 2007/2010, que foram aprovadas quando Carmona Rodrigues era presidente da autarquia, deixam claro que a Câmara alfacinha está sujeita a um esforço financeiro considerável com as suas empresas municipais: se para 2007 está prevista a transferência de 850 mil euros, nos três anos seguintes está prevista a atribuição de total de 600 mil euros por ano.
Em causa está um universo de 13 empresas e organismos municipais beneficiados com verbas transferidas do orçamento camarário: EPUL – Empresa Pública de Urbanização de Liboa; Gebalis – Gestão de Bairros Municipais de Lisboa; EMEL – Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa; Emarlis – Empresa Pública Municipal de Águas Residuais de Lisboa; EGEAC – Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural; Baixa Pombalina SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana; Lisboa Ocidental, SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana; SRU Oriental – Sociedade de Reabilitação Urbana; Agência Municipal de Energia e Ambiente – Lisboa E-Nova; Associação Música-Educação e Cultura – Orquestra Metropolitana de Lisboa; ATL – Associação de Turismo de Lisboa; LISPOLIS – Associação para o Pólo Tecnológico de Lisboa; MARL – Mercado Abastecedor da Região de Lisboa.
À verba anual atribuída às empresas municipais sob a forma de transferências de capital acresce ainda subsídios atribuídos no âmbito de contratos-programa estabelecidos entre a autarquia e algumas daquelas empresas e organismos. Por esta via, segundo o relatório e contas do município em 2006, os subsídios da Câmara de Lisboa atingiram, entre 2003 e 2006, um total de 53,3 milhões de euros. Só a EGEAC e a Emarlis receberam, naquele período, 30,5 milhões de euros, com a principal fatia a pertencer à EGEAC.
Com as dificuldades financeiras da autarquia a obrigarem o futuro presidente a ter de aplicar um plano de saneamento das dívidas, as empresas municipais, dado o custo financeiro que representam para a autarquia, poderão também ser envolvidas nesse futuro plano. Para já, os principais candidatos, como António Costa e Fernando Negrão, têm frisado até à exaustão que o município alfacinha precisa de ter a situação financeira resolvida.
Poucos meses antes da queda da anterior equipa autárquica, Carmona Rodrigues pretendia avançar com um plano de reestruturação das empresas municipais. BE e CDU defendem há muito a extinção de algumas empresas municipais como a EMEL, a Emarlis, as três SRU e a Gebalis. E o próprio PS chegou a apresentar na autarquia, no início deste ano, um plano para a fusão das três SRU numa única empresa.
FERNANDO NEGRÃO (PSD): FIM AOS "FUMOS DA CORRUPÇÃO"
O candidato do PSD à Câmara de Lisboa reiterou ontem a intenção de assumir o pelouro do Urbanismo. “Este deve ser responsabilidade do presidente para pôr ordem num sector fundamental e que tem sido o mais problemático”, afirmou Fernando Negrão após uma visita à Feira do Relógio. O candidato defendeu que “Lisboa tem de perder a imagem dos sinais e fumos da corrupção”, respondendo assim ao apelo de Fernando Seara, que afirmou que o presidente de Lisboa deve ser “implacável no urbanismo”.
HOJE: Visita ao Futebol Clube Belenenses, às 18h00.
ANTÓNIO COSTA (PS): CÂMARA USADA "CONTRA" GOVERNO
O candidato do PS à Câmara de Lisboa acusou ontem o adversário social-democrata, Fernando Negrão, e o PSD de usarem o município como “palco de confrontação com o Governo”, disse o ex-ministro socialista, que tem defendido uma “cooperação estratégica do município com o Estado”. Numa acção de pré-campanha no Jardim da Estrela, António Costa voltou a pedir “uma maioria” para governar Lisboa e apelou a “cartão vermelho” ao PSD .
HOJE: Jantar com taxistas, restaurante da FIL, 20h30.
CARMONA RODRIGUES (INDEPENDENTE): TÚNEL RECEBE ELOGIOS
O ex-presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues, realizou ontem uma Arruada em Belém, durante a qual visitou a Feira de Velharias. No decorrer da visita o candidato recebeu o apoio de vários vendedores que elogiaram a obra de conclusão do túnel do Marquês. Ouviu ainda pedidos de intervenção na Feira da Ladra, a nível da segurança e falta de casas de banho.
HOJE: Visita à Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), 11h.
HELENA ROSETA (INDEPENDENTE):COSTA É ALVO DE CRÍTICAS
Helena Roseta fez ontem, em declarações ao CM, duras críticas à ausência do candidato do PS no debate entre as várias candidaturas, que decorreu em Chelas. “António Costa comporta-se como se já fosse presidente, mas ainda não é. Enviou Manuel Salgado que não estava capaz de responder às perguntas dos moradores” . Para a candidata “ a convergência de esforços é possível”.
HOJE: Reunião com Direcção Municipal de Protecção Civil e Tráfego, às 15h00.
SÁ FERNANDES (BLOCO)
O candidato do BE à Câmara de Lisboa, José Sá Fernandes, prometeu ontem aos moradores do bairro Padre Cruz (Carnide) que não vai deixar cair no esquecimento as questões relacionadas com o projecto para aquela zona. Após uma visita ao bairro Padre Cruz, Sá Fernandes reuniu-se com a Associação de Moradores, que transmitiu ao candidato grande preocupação com a questão de um novo projecto de intervenção para aquele bairro. A Associação adiantou a Sá Fernandes que não está disposta à imposição de um qualquer projecto.
HOJE: Visita ao Centro de Novas Oportunidades da CML, 11h15.
RUBEN DE CARVALHO (PCP/VERDES)
O cabeça de lista da CDU à Câmara de Lisboa, Ruben de Carvalho, esteve ontem reunido com a Associação de Moradores e Comerciantes do Parque das Nações. Entre as preocupações que foram transmitidas ao candidato estiveram algumas situações do ponto de vista social, nomeadamente em relação a escolas que falta construir bem como alguns acessos de transportes. A Associação revelou também alguma preocupação em relação a certas construções não planificadas para aquele local e relativamente à zona ribeirinha (desde o Parque das Nações a Belém). Reclamaram ainda a paralisação no que toca à construção de uma marina para o Parque das Nações. HOJE: Visita Centro Apoio a Toxicodependentes, Xabregas, 11h30.
TELMO CORREIA (CDS-PP)
O candidato do CDS-PP à Câmara de Lisboa criticou ontem o independente e ex-presidente Carmona Rodrigues acusando-o de ser “um exemplo de sonsice”, por ter aprovado na Câmara duas salas de chuto e agora, como candidato, ser contra. “Quando foi presidente propôs e aprovou duas salas de chuto, no bairro do Charquinho e no bairro dos Alfinetes”, disse Telmo Correia, no final de uma acção de campanha em Belém. Atitudes destas, defende, “contribuem para a imagem de falta de credibilidade dos políticos.”.
HOJE: Participa em acção de rua na Morais Soares, às 15h00.
NOTAS
PCTP/MRPP COM EX-COMBATENTES
Garcia Pereira visita hoje, às 11h, a Associação de Apoio aos ex-Combatentes Vítimas do Stress de Guerra.
PINTO-COELHO NO MARIA VITÓRIA
PNR assistiu ontem à Festa de Encerramento do ano lectivo do Centro Cultural de Benfica.
MPT REÚNE-SE COM PROFESSORES
Quartin Graça reúne-se amanhã com Direcção do Sindicato de Professores da Grande Lisboa.
HABITAÇÃO DE LISBOA EM DEBATE
A Associação Tempo de Mudar organizou ontem debate com representantes das várias candidaturas.
NÚMEROS CAPITAIS
- 140 anos completa hoje a Polícia em Lisboa. Criada, como Polícia Cívica, pelo rei D. Luís, a 2 de Julho de 1867, teve uma evolução organizativa para PSP, mas continua sediada no mesmo local, o Governo Civil, ao Chiado.
- 20 freguesias de Lisboa têm menos de cinco mil eleitores inscritos e há seis com menos de mil.
- 198 foi o ano do censo que mais habitantes deu a Lisboa. O número - 807.937 - quadruplicava a população contada em 1801.
- 11 presidentes somou a Câmara de Lisboa do 28 de Maio de 1926 ao 25 de Abril de 74, com destaque para Álvaro da Salvação Barreto que ficou 15 anos à frente do município.
- 1934 é a data da conclusão da Praça do Marquês de Pombal, no topo da Avenida da Liberdade. Desde 1959, o Metro passa por debaixo. Agora, há também túnel de carros.
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