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Correio da Manhã

Política
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Esquerda quer denunciar acordo

A denúncia do memorando da troika foi o grande objectivo do Congresso Democrático das Alternativas, que ontem teve lugar em Lisboa. A iniciativa reuniu personalidades de vários sectores da esquerda.

6 de Outubro de 2012 às 01:00
Carvalho da Silva discursou durante o congresso
Carvalho da Silva discursou durante o congresso FOTO: Miguel A. Lopes/Lusa

Os discursos foram inaugurados pelo coronel Vasco Lourenço, que defendeu que a crise se deve "à corrupção e à especulação financeira" e que a solução passa por "reconstruir o aparelho de Estado". Entre os discursos mais duros, esteve o do economista Ferreira do Amaral, segundo o qual o resultado das novas medidas de austeridade não são solução para o País. "O desemprego vai aumentar para muito mais dos 16,4% que o Governo anuncia e a recessão vai ser muito mais profunda", disse o professor catedrático do ISEG. Já o ex-líder da CGTP Manuel Carvalho da Silva apelou "um acto colectivo de afrontamento" ao Governo.

O congresso terminou com a aprovação por larga maioria a declaração final. A proposta da eurodeputada socialista Ana Gomes para substituir a palavra "denúncia" por "renegociação" acabou por não ser votada, já que, segundo a organização, não existe "contradição com a necessidade de uma renegociação [do memorando] com as instituições internacionais". A proposta para a criação de uma associação política que, mais tarde, poderia vir a dar origem a um novo partido político foi, porém, rejeitada.

"AUSTERIDADE NÃO PRESTA"

O histórico socialista Manuel Alegre, que marcou presença no Congresso das Alternativas, manifestou-se ontem contra "uma austeridade que não presta", considerando que as pessoas "não vão suportar".

Para o antigo candidato presidencial, "esta política de austeridade leva à destruição do Estado social, dos direitos sociais, dos serviços públicos, empobrece o País, arruína a nossa economia, leva para a falência milhares de empresas, aumenta brutalmente o desemprego".

Alegre deixou ainda o alerta de que "ou isto se resolve no quadro da democracia ou podemos ter surpresas", acrescentando que espera que "os partidos políticos, o Presidente da República, todos, estejam muito atentos ao que se está a passar".

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