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Correio da Manhã

Política
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Estado de emergência não deve ser "a medida" para conter pandemia, afirma João Ferreira

Candidato considera que medidas contempladas nas sucessivas declarações de estado de emergência não foram eficazes.
Lusa 12 de Janeiro de 2021 às 21:32
João Ferreira no congresso do PCP
João Ferreira no congresso do PCP FOTO: Lusa
O candidato à Presidência da República João Ferreira defendeu esta terça-feira que são necessárias medidas adicionais para travar a progressão da pandemia de covid-19, mas considerou que o estado de emergência "não pode ser entendido como a medida".

"Sublinhamos: são necessárias medidas de emergência, mas o estado de emergência não pode ser entendido como a medida", lê-se numa declaração de João Ferreira a propósito da reunião com epidemiologistas sobre a evolução da pandemia que decorreu esta terça-feira no Infarmed e à qual assistiu por videoconferência.

Para o eurodeputado e candidato apoiado pelo PCP e PEV, as medidas contempladas nas sucessivas declarações de estado de emergência não foram eficazes no combate e contenção da epidemia, que se manteve em progressão.

"As sucessivas declarações do estado de emergência, nas quais não encontramos as medidas que seriam necessárias para um eficaz combate à epidemia, limitaram direitos, alimentaram o alarmismo, mas não impediram que chegássemos à situação atual", refere.

O eurodeputado não teve durante esta terça-feira quaisquer ações de campanha, canceladas por precaução após ter sido tornado público, na segunda-feira à noite, que o Presidente e recandidato, Marcelo Rebelo de Sousa, teve um teste positivo de diagnóstico ao novo coronavírus.

"O quadro apresentado, com o aumento previsível do número de casos positivos e da pressão exercida sobre as unidades do Serviço Nacional de Saúde, reclama medidas de emergência adicionais, que devem incidir na proteção das pessoas, designadamente na prevenção e no reforço da capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde", prosseguiu.

Para o candidato, é necessária a contratação de mais profissionais, o aumento do número de camas de cuidados intensivos e a formação das respetivas equipas, assim como o reforço da estrutura de saúde pública, "fundamental para quebrar cadeias de contágio, conter e anular" a progressão da epidemia.

"A par destas medidas, é necessário reforçar as medidas de apoio e proteção social dos que, impedidos de exercerem a sua atividade profissional devido ao provável confinamento a ser anunciado amanhã [quarta-feira], vão perder a totalidade ou parte dos seus rendimentos", defendeu.

Por outro lado, sublinhou, é necessário "garantir um reforço da proteção de todos quantos, mesmo no provável confinamento próximo, não deixarão de continuar a trabalhar".

Face à situação epidémica que se vive no País, João Ferreira acrescentou que a campanha da sua candidatura continuará a ser adaptada à situação existente, "adotando todas as medidas de proteção sanitária sem que tal signifique abdicar do esclarecimento e da mobilização dos portugueses para o voto".

O secretário-geral do PCP anunciou esta terça-feira que vai voltar a votar contra a renovação do estado de emergência para dar resposta à pandemia de covid-19 e pediu mais medidas de emergência, após a reunião que decorreu no Infarmed.

Para Jerónimo de Sousa, a situação de pandemia não se resolve "com o confinamento absoluto", sendo "necessárias medidas de emergência", de caráter social e económico, de apoio aos trabalhadores e aos micro, pequenos e médios empresários,

Além disso, afirmou, o Governo deve evitar adotar "exclusivamente" medidas restritivas.

As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de covid-19 em Portugal, estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

A campanha eleitoral começou no dia 10 e termina em 22 de janeiro. Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.945.437 mortos resultantes de mais de 90,8 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 8.080 pessoas dos 496.552 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

O estado de emergência decretado em 09 de novembro para combater a pandemia foi renovado com efeitos desde as 00:00 de 08 de janeiro, até dia 15.

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