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Correio da Manhã

Política
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ESTE É UM CAMINHO PARA FERIR DE MORTE O PARTIDO

João Amaral lançou ontem um apelo à resistência dos militantes comunistas e considerou ilegítimas as convocações para audições prévias às expulsões anunciadas de Carlos Brito, Carlos Luís Figueira e Edgar Correia.
2 de Julho de 2002 às 22:27
“Faço aqui um vibrante apelo à resistência, porque ela, contra estas medidas, é a defesa do PCP.

Não é uma resistência contra uma decisão qualquer, é contra uma decisão que questiona, que põe em perigo, que aponta o caminho da destruição do PCP”, apelou Amaral durante uma entrevista à rádio TSF.

Visivelmente chocado, João Amaral -, que há muito se debate pela renovação do PCP -, afirmou que a censura desencadeada pela Direcção do partido “é um caminho para ferir de morte o PCP”.

Para João Amaral, Carlos Brito, Carlos Figueira e Edgar Correia “e todos os que estão empenhados em profundas mudanças no PCP” são comunistas que querem ”um partido à altura dos desafios da sociedade actual”.

Entretanto, os renovadores ignoram os avisos da direcção comunista e preparam-se para resistir. Na Internet (www.tribuna.dk3.com) já circula um abaixo-assinado contra as sanções disciplinares, que reivindica a suspensão de quaisquer processos.

Para sexta-feira, em Faro, os comunistas renovadores marcaram um jantar “da indignação”. Em declarações ao CM, Carlos Luís Figueira afirmou que esse jantar será aberto e de solidariedade. A “Tribuna da Indignação” é outra iniciativa de protesto, que terá lugar no Hotel Continental no próximo domingo.

Primeiro sozinho, depois coligado no seio da FEPU, em 1977; da APU, em 1978 e mais tarde, com o Partido Ecologista os Verdes, na CDU, o PCP, Partido Comunista Português, tem vindo a descer na preferência do eleitorado e a perder influência política. Para Francisco Louçã, deputado do Bloco de Esquerda, o processo de enfraquecimento do PCP é negativo do ponto de vista político e social.

“A força da Esquerda está na capacidade de representar diferentes pontos de vista. Perder uma força política como o PCP contribuiria para o enfraquecimento da Esquerda em Portugal”, declarou o deputado do BE.
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