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Correio da Manhã

Política
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Estudos de 14 milhões

Os estudos sobre o impacto da construção do aeroporto na Ota custaram ao erário público, nos últimos oito anos, 13,6 milhões de euros, dos quais 6,6 milhões de euros correspondem a apoios financeiros da União Europeia.
19 de Novembro de 2005 às 00:00
Mário Lino defende o aeroporto da Ota
Mário Lino defende o aeroporto da Ota FOTO: Estela Silva, Lusa
Ontem, Guilhermino Rodrigues, presidente da empresa responsável pela realização dos estudos, revelou que pediu, há duas semanas, um novo estudo sobre esta matéria. Com o País em “recessão grave” à luz do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC), Miguel Cadilhe, até há pouco tempo presidente da Agência Portuguesa para o Investimento (API), diz que o projecto está “deslocado” das necessidades de Portugal.
Para um projecto cujo investimento ascende a cerca de três mil milhões de euros, foram, segundo a NAER, realizados, entre 1997 e 2004, 70 estudos. Abrangendo as mais diversas áreas, com destaque para as partes técnica, financeira e ambiental. Só as avaliações ambientais da construção do novo aeroporto da Ota contam com 24 trabalhos, da responsabilidade de entidades como o Instituto Superior Técnico e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Guilhermino Rodrigues justificou a realização de um novo estudo sobre o impacto do aeroporto da Ota no turismo de Lisboa com o facto de estar “consciente que desde 2000 até agora muita coisa mudou”. E desmentiu que o estudo efectuado em 2000, pela Roland Berger, tenha diagnosticado uma quebra de 16 por cento no turismo da capital portuguesa. A redução, garante, é de apenas 2,5 por cento.
Certo é que as críticas à obra avolumam-se. Miguel Cadilhe diz que, “por aquilo que conheço, por intuição e por ponderação das coisas, e salvaguardando eventual informação que venha a ser disponibilizada, nas actuais circunstâncias do País e no estado das finanças públicas nunca iria para este projecto, porque está deslocado das nossas condições de desenvolvimento”.
DETALHES
REVELAÇÃO
O Governo revela na próxima terça-feira os estudos realizados nos últimos anos sobre o novo aeroporto na Ota. Mário Lino, ministro das Obras públicas, procura assim fundamentar a decisão de avançar com a obra.
TGV
O estudo sobre a instalação do TGV vai ser apresentado, segundo apurou o CM, na primeira quinzena de Dezembro. O Executivo já disse que as ligações Lisboa-Madrid e Lisboa-Porto são as linhas prioritárias.
INVESTIMENTO
Miguel Cadilhe considera que o investimento público na instalação da linha ferroviária do TGV é um “bom exemplo de investimento público”, que faz sentido incluir nas prioridades políticas do Executivo.
AS REVELAÇÕES DIRECTAS DO DONO DOS TERRENOS
António Varela, o proprietário com mais terrenos para construção em redor do aeroporto da Ota revela alguns dos seus segredos numa entrevista exclusiva à revista 'Domingo'.
O engenheiro civil conta que começou a comprar propriedades em 1997, “quase por acaso”. Na altura, o metro quadrado não custava mais de dez euros. Hoje, as mesmas terras valem 250. E daqui a cinco anos, estima-se que as cifras atinjam o dobro do preço.
“Foi um bom negócio”, confessa o ribatejano, que espera facturar 500 milhões de euros com os seus investimentos imobiliários, quando a Ota for mais do que uma miragem.
Varela, que é dono da Tiner, empresa de construção civil e obras públicas, comenta ainda os boatos a circular na internet sobre políticos envolvidos no negócio das propriedades do aeroporto. E, como dono do Citation X, avião privado apreendido na Venezuela em Outubro de 2004, por transporte de cocaína, revela as suas expectativas para um caso que parece não ter fim: “Todos os meses tenho um prejuízo de 250 mil euros. Mas estou confiante de que a seguradora me vai pagar.”
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