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Correio da Manhã

Política
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Ex-director do Freeport mostra falta de memória

O ex-director do Freeport Jonathan Rawnsley evidenciou nesta segunda-feira em tribunal falta de memória, depois de na sexta-feira admitir ter tido conhecimento de um pedido de pagamento de dois milhões de libras para viabilização do projecto.
16 de Abril de 2012 às 17:25
Rawnsley assegurou também não se lembrar de conversas então mantidas com o arguido e consultor Manuel Pedro
Rawnsley assegurou também não se lembrar de conversas então mantidas com o arguido e consultor Manuel Pedro FOTO: Vítor Mota

"Não me recordo", "foi há mais de 10 anos" e "não sei quem me substituiu" foram expressões utilizadas hoje por Jonathan Rawnsley, no segundo dia em que foi ouvido como testemunha de acusação, por videoconferência, a partir de Inglaterra.

Em resposta às questões colocadas pelos juízes, Rawnsley, que deixou de trabalhar para o Freeport em Setembro de 2004, garantiu não saber quem o "substituiu" no cargo.

Rawnsley assegurou também não se lembrar de conversas então mantidas com o arguido e consultor Manuel Pedro.

Na última audiência, Jonathan Rawnsley mostrou-se menos retraído e disse ter tido conhecimento de uma reunião entre o arguido Charles Smith, da Smith & Pedro, e advogados de Lisboa, em que estes falavam numa quantia de "dois milhões de libras esterlinas a pagar a um partido político ou a uma obra de caridade", como forma de conseguir a viabilização do centro comercial em Alcochete.

Questionado sobre se esta verba se destinava a algum ministro do governo socialista da altura, a testemunha disse que não.

A reunião ter-se-á realizado na véspera do despacho ministerial que inviabilizou, pela segunda vez, a construção daquele centro comercial em Alcochete, datado de 06 de dezembro de 2001.

Rawnsley frisou então que aquela conversa não foi transmitida às autoridades superiores do Freeport, uma vez que não a tinham levado a sério, além de que não foi considerada como "uma proposta séria".

 


Na passada sexta-feira, o director do Freeport confirmou que se reuniu com o então ministro do Ambiente, José Sócrates, depois do segundo chumbo do projecto do 'outlet', a 6 de Dezembro de 2001, justificando que a ideia era perceber as razões da recusa do projecto.

Avançou que a reunião com Sócrates foi agendada por Charles Smith ou Manuel Pedro, os dois arguidos do caso Freeport acusados de tentativa de extorsão.

Na sessão desta segunda-feira, o tribunal ouviu ainda, por videoconferência, a testemunha Peter Colin Athey, antigo consultor e orçamentista de obras de construção do Freeport, o qual admitiu conhecer pessoalmente Charles Smith e Manuel Pedro, mas desconhecer em absoluto quaisquer questões relacionadas com subornos ou pagamentos ilegais para viabilizar o projecto.

Peter Colin justificou que "não reportava" a Manuel Pedro e a Charles Smith, mas sim à direcção do Freeport, razão pela qual pouco ou nada adiantou sobre conversas mantidas com os arguidos.

Confrontado com uma verba de 17 mil euros mencionada numa ata de reunião, a testemunha disse ter a ideia que era para pagar uma licença de construção.

Também não soube avançar com o custo global do Freeport, alegando que só tinha a responsabilidade das obras. A sua falta de memória e fraco conhecimento dos factos levou a que o seu interrogatório fosse breve e nada conclusivo.

O processo Freeport foi originado por suspeitas de corrupção, tráfico de influências e financiamento de partidos políticos na alteração à Zona de Protecção Especial do Estuário e licenciamento do espaço comercial em Alcochete quando era ministro do Ambiente José Sócrates.

O julgamento prossegue no próximo dia 26.

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