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Correio da Manhã

Política
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EXCLUSÃO DA TURQUIA É SÉRIO ERRO

A União Europeia cometerá um “sério erro” se excluir a Turquia do processo de alargamento, considerou ontem o ministro grego dos Negócios Estrangeiros, Georges Papandreou, em reacção às polémicas declarações do presidente da Convenção sobre o Futuro da Europa, Valéry Giscard d’Estaing.
11 de Novembro de 2002 às 00:03
"A perspectiva da adesão da Turquia constitui um grande desafio para a Europa e será um sério erro se a grande experiência europeia parar geograficamente nos Balcãs", afirmou Papandreou, frisando que para a Grécia a aproximação da Turquia à UE reveste-se de uma "importância vital".

O ministro grego mostrou, assim, que a Grécia não pode discordar mais das afirmações proferidas por Giscard d’Estaing em entrevista ao jornal francês “Le Monde”. Nesta entrevista, o antigo presidente francês considerou que “a adesão da Turquia representaria o fim da União Europeia”, porque “a Turquia não é um país europeu”. A reacção de Atenas foi um tanto surpreendente, se se tiver em conta as rivalidades greco-turcas, nomeadamente, na ilha de Chipre - que deverá aderir à UE já em 2004 - mas acaba por ser normal. Fora da União Europeia, a Turquia representaria um problema bem grande junto à fronteira grega.

Papandreou não foi o único a manifestar-se contra a posição assumida por Giscard d’Estaing. O presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi, considerou as palavras do líder da Convenção “contrárias ao espírito da União” e adiantou que apesar de todas as dificuldades sentidas no processo de adesão deste país “há que manter os compromissos assumidos”.

Note-se que, dos países candidatos à adesão, a Turquia foi o primeiro a pedir para entrar na UE e que desde 1963 lhe é confirmada a esperança de um dia poder fazer parte do “clube”. Além disso, desde 1999 que a Turquia goza do estatuto de país candidato e, como lembram vários dirigentes europeus, Ancara tem feito muitos progressos quer a nível político, quer a nível legislativo com o objectivo de poder vir a fazer parte da UE.

Como país candidato, a Turquia está, também, representada na Convenção sobre o Futuro da Europa, que se encontrava reunida em sessão plenária no dia em que foi conhecido o teor da entrevista do antigo chefe de Estado francês. Muitos foram os “convencionais” que condenaram a atitude de Giscard d’Estaing, considerando que como presidente da Convenção não deveria ter pronunciado tal opinião. Para o vice-presidente da Convenção e antigo primeiro-ministro belga, Jean-Luc Dehaene, d’Estaing exprimiu uma opinião pessoal, mas escolheu o momento errado para o fazer, precisamente porque é ele que preside à Convenção encarregue de fazer as reformas necessárias na UE para acolher novos países.
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