"Exclusividade para deputados"

Mendes Bota, deputado do PSD e presidente da comissão de Ética, defende exclusividade para evitar conflitos de interesses com o privado.
21.01.13
"Exclusividade para deputados"
Foto Carlos Almeida

Correio da Manhã - Mais de metade dos deputados acumulam funções no privado. Há situações de conflito de interesses?

Mendes Bota - À luz da legislação, não é proibido protagonizar situações de conflito de interesses. O que será eticamente reprovável, e passível de condenação, é omitir dados relevantes na declaração para o registo de interesses ou não autodenunciar uma situação em que incorra em conflito de interesses.

- Fernando Negrão exige que prove as acusações de assalto aos lugares-chave no Parlamento. Que resposta lhe merece?

- Não vejo razão para entrar em polémica. Nunca usei a palavra "assalto". Falei em "apropriação" de lugares-chave no Parlamento por parte dos deputados juristas. Dos 70% de deputados que não são juristas, são poucos os que ocupam lugares de relevo. Uma das debilidades da democracia representativa é que se sente uma fraca representação do país real. Falta gente no Parlamento que seja oriunda de um outro mundo fora dos gabinetes. Há demasiado partido.

- É a favor do regime de exclusividade dos deputados?

- Considero que ser parlamentar é uma honra e uma responsabilidade que exigem sacrifícios pessoais, profissionais, familiares, e para exercer funções de serviço público pela via política é necessária essa disponibilidade. Tenho vindo a consolidar uma convicção de que deveremos enveredar pelo caminho da exclusividade. Para todos.

- Seria o melhor modo de prevenir conflitos de interesses?

- Seria uma solução radical, que contribuiria substancialmente para afastar a sombra permanente de suspeição de existência de uma interseção entre o interesse público e o privado.

PERFIL

José Mendes Bota nasceu em 4 de agosto de 1955 em Loulé e é licenciado em Economia. Foi eleito deputado à Assembleia da República pela primeira vez em 1983. Preside à Comissão Parlamentar de Ética.

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13 Comentários
  • De AVMM21.01.13
    Ora aqui esta uma muito boa ideia deste SR.MAS PENSO QUE COMPROU UMA BOA BRIGA COM OS COLEGAS.MAS NAO DESISTA O POVO AGRADECE/
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  • De jose ramos nicolau21.01.13
    Claro que para ser deputado tem de ter DR..Neste triste País quem não tiver Dr.ou eng.,não pode entrar na politica.Afinal só estes srs.,é que conseguem por o País de rastos.Há muito boa gente sem canudo,que fazia melhor.
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  • De Joaquim Carreira Tapadinhas21.01.13
    Não só exclusividade como selecção feita entre pessoas que trabalham e conhecem a vida e os locais que os elegeram e não de boys partidários,como também listas uninominais e não mais que 2 mandatos para voltar à terra.
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  • De mav21.01.13
    Como diz o F.H.,também assino.Em tudo,as leis deviam ser bem claras,nos muitos e diversos casos de acumulações.Só assim se combatería o desperdício e beneficiaría os muitos desempregados deste país.
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  • De antunano21.01.13
    Os partido só deviam ter 45% dos 130 deputados q devia ter o parlamento. Os restantes deviam ser eleitos pela sociedade civil. também as autarquia só deviam ter autarcas d sociedade civil, sendo impeditivo p os partidos.
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