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Correio da Manhã

Política
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EXECUTIVO SÓ INDICOU VAZ AFONSO

Jorge Sampaio quis ontem demonstrar que não há espaço para “rumores” ao condecorar ex-chefes militares que saíram em rota de colisão com o actual ministro da Defesa, Paulo Portas, e que a crispação entre Belém e a tutela política dos militares já lá vai. Mas o facto do Executivo só ter indicado Vaz Afonso, ex-chefe do Estado Maior da Força Aérea, assinala um mal-estar que não se desvaneceu por completo, sobretudo, entre Ministério e a Instituição Militar.
26 de Março de 2004 às 00:00
O General Alvarenga Sousa Santos e o almirante Silva Viegas foram indicados pelos seus sucessores, almirante Mendes Cabeçadas (Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas) e Valença Pinto (Chefe de Estado -Maior do Exército), respectivamente. E receberam a Grã-Cruz Militar da Ordem de Cristo.
O Chefe de Estado sublinhou que o evento não era fruto de qualquer braço-de-ferro com Portas : “Portugal é dado a um vasto conjunto de insuportáveis rumores que entendo que devo combater". Ou não fosse Sampaio o garante da estabilidade institucional.
Porém, como é seu hábito, o Chefe de Estado fez um discurso a enfatizar que “mesmo que nada disto tivesse acontecido, (as indicações para os agraciados)” , teria agido da mesma maneira. Isto é, desdramatizou as polémicas passadas, mas não deixou de as assinalar, ainda que de forma muito indirecta. “É com muito gosto que finalmente é possível” proceder a esta cerimónia, frisou o presidente na mesma linha de raciocínio.
A seguir Sampaio reuniu-se com Portas antecipando outro ponto da agenda, desta feita, na Academia Militar, na Amadora. Ambos optaram por não fazer discursos.
Na Academia, Portas ainda ouviu elogios de Valença Pinto sobre os incentivos à profissionalização das Forças Armadas.
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