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Correio da Manhã

Política

Face Oculta: Petrogal pediu preços

O arguido do processo 'Face Oculta' Namércio Cunha reafirmou esta terça-feira que a empresa de que era director comercial, a 'O2', foi efectivamente contactada pela Petrogal para se candidatar ao desmantelamento de um navio que ainda estava em construção.
14 de Fevereiro de 2012 às 13:56
O arguido Namércio Cunha
O arguido Namércio Cunha FOTO: d.r.

"Reitero o que disse. Podia ter sido um lapso meu, mas não foi", assegurou, na sequência de um desmentido produzido dia 8 pelo advogado da assistente Petrogal, Lopo Cancella de Abreu, que tinha considerado, numa provável confusão com outro navio daquela empresa, tratar-se de uma "história mal contada".

O ex-braço direito do sucateiro Manuel Godinho insistiu também que não está a ser "minimamente beneficiado" por colaborar com a Justiça, "antes pelo contrário".

O arguido fez esta declaração porque o advogado de José Penedos, Rui Patrício, considerou, no dia 8, que o ex-director comercial da 'O2' tem assumido uma postura distinta dos demais arguidos porque "foi tratado de uma maneira diferente" pelo Ministério Público.

Também na sessão de hoje, o juiz presidente, Raul Cordeiro, anunciou ter indeferido a pretensão da defesa de José Penedos para que o tribunal clarificasse se as polícias estão a promover medidas especiais de protecção a Namércio Cunha.O juiz já tinha negado que o tribunal tivesse dado qualquer ordem nesse sentido.

Raul Cordeiro decidiu, por outro lado, admitir a junção aos autos de cinco documentos, quatro deles com recortes de notícias, satisfazendo deste modo um pedido da assistente REFER, a propósito de uma eventual relação de 'factoring' entre o BCP e Manuel Godinho.

Num depoimento que se prolonga há seis sessões e que deverá terminar na tarde de hoje, Namércio contou detalhes sobre as negociações entre a REN e a 'O2' para acertar as quantidades de resíduos que deveriam ser dadas como efetivamente retiradas da central de Alto Mira e sublinhou o "ambiente pesado" que marcou as reuniões entre as duas partes.

A 'O2' deu como retiradas de Alto Mira 6800 toneladas de resíduos, uma quantidade que a REN nunca aceitou, chegando mesmo a ameaçar levar a questão aos tribunais.

Isto porque existiam fotos de camiões saídos de Alto Mira sem qualquer carga ou praticamente vazios, mas que tinham sido dados como totalmente carregados.

Uma consultora contactada pela REN, a Quadrante, veio a considerar que o peso correcto seria de 1700 toneladas, enquanto que outra consultora indicada por Manuel Godinho, a Consurgal, do coarguido Lopes Barreira, entendia que até tinham sido retiradas de Alto Mira 9700 toneladas de resíduos.

Acabou por se fixar como correcto o peso de 4600 toneladas, numa solução que Namércio Cunha considerou "a possível" mas que, como também afirmou, não era a pretendida por Manuel Godinho, que queria manter as 6800 toneladas iniciais.

O processo 'Face Oculta' está relacionado com uma alegada rede de corrupção que teria como objectivo o favorecimento do grupo empresarial do sucateiro Manuel Godinho nos negócios com empresas do sector empresarial do Estado e privadas.

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