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Correio da Manhã

Política
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Fernando Nobre nem garantiu os votos do PSD

A confiança da direcção social-democrata na eleição de Fernando Nobre foi destruída pelas 18h00, na consequência de duas votações negativas, que ditaram o afastamento do fundador da AMI e mostraram que o nome de Fernando Nobre nem conseguiu convencer toda a sua bancada. É a primeira vez, em 35 anos, que um candidato a número dois do Estado perde a eleição em duas voltas consecutivas.
21 de Junho de 2011 às 00:30
Primeiro-ministro indigitado, Passos Coelho, perdeu a aposta em Fernando Nobre como número 2 do Estado
Primeiro-ministro indigitado, Passos Coelho, perdeu a aposta em Fernando Nobre como número 2 do Estado FOTO: Vasco Neves

Na segunda votação, e num ambiente de silêncio que contrastou com a descontracção da primeira volta, Nobre até perdeu um voto dos 106 alcançados (eram necessários 116 para ser eleito). Ou seja, obteve 105 "sim", menos três do que os 108 elementos que compõem a sua bancada. Na repetição da votação, os nulos subiram de 21 para 22, além dos 101 votos em branco, num total de 228 presenças. Faltaram dois deputados do PS: Mário Ruivo e Sandra Galguinho.

O primeiro-ministro indigitado, que hoje toma posse a partir das 12h00, perdeu a aposta pessoal de escolher um nome da sociedade civil para suceder a Jaime Gama, e nem as suas palavras na reunião da bancada do PSD convenceram todos os seus pares. Mota Amaral ou Guilherme Silva são as duas hipóteses em cima da mesa, mas várias fontes do PSD admitiram ao CM que pode haver uma terceira via: Teresa Morais, vice-presidente da direcção da bancada cessante.

Pela manhã, na reunião da bancada dos sociais-democratas, foi revelado, apurou o CM, que foram feitas diligências junto do CDS e de outros partidos para acautelar a eleição de Nobre. Do lado do PCP, garantia-se que não iriam viabilizar. O CDS avisou que iria votar em branco. Houve quem apontasse, nos corredores do Parlamento, que quatro deputados do PS iriam apoiar a escolha de Passos Coelho. Contas feitas, Nobre desistiu e assegurou aos jornalistas que irá manter-se no cargo de deputado, e Passos lamentou a oportunidade perdida de "ter um verdadeiro independente" à frente do Parlamento. Hoje, há nova votação, às 16h00.

APOIO FAMILIAR NAS GALERIAS DO PARLAMENTO

A mulher de Fernando Nobre, Luísa Nemésio, assistiu às duas votações da candidatura do médico e fundador da AMI ao cargo de presidente do Parlamento. Mas nem o apoio familiar ‘salvou' Nobre de falhar o objectivo.

Hoje, o PSD terá de propor um novo nome a votos. Mota Amaral, ex-presidente do Parlamento, é quem recolhe maior consenso nos restantes partidos. Mas será difícil ir a votos como segunda escolha. Guilherme Silva recebeu o apoio de Alberto João Jardim, da Madeira.

FIGUEIREDO É DEPUTADO

André Figueiredo, chefe de gabinete de José Sócrates que esteve no centro da polémica das eleições para a Federação de Coimbra do PS, escolheu o lugar ao lado do agora candidato a secretário-geral do PS Francisco Assis, na última fila do plenário, para a sua estreia como deputado.

Em Outubro de 2010, por ocasião das eleições para a Federação de Coimbra, o deputado do PS Victor Baptista acusou André Figueiredo de o tentar afastar da corrida com a oferta de um cargo numa empresa pública, "com um vencimento de 15 mil euros mensais". O caso está entregue à Justiça.

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