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Política
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FERREIRA LEITE DESAUTORIZA PSD

A confiança política entre Manuela Ferreira Leite, considerada o braço-direito de Durão Barroso no anterior Governo, e a actual liderança do PSD dificilmente será reestabelecida nos próximos tempos.
11 de Novembro de 2004 às 00:00
Nas vésperas do congresso do PSD, que começa amanhã em Barcelos, a ex-ministra das Finanças desautorizou, sem rodeios, o secretário-geral social-democrata de falar, em nome da ex-ministra, sobre o Orçamento do Estado para 2005.
Ontem, em entrevista ao Correio da Manhã que será publicada amanhã, Miguel Relvas afirmou que “não tenho dúvidas de que este orçamento [do Estado] seria subscrito pelo anterior primeiro-ministro e pela anterior ministra das finanças”. Porque, concluiu, “há uma política de sequência” entre os executivos de Durão Barroso e de Santana Lopes.
Ainda ontem, Manuela Ferreira Leite, confrontada pelo Correio da Manhã, reagiu de forma incisiva às palavras de Miguel Relvas: “Não percebo por que é que o secretário-geral faz essas declarações, porque eu ainda não abri a boca sobre o Orçamento” para 2005. Por isso mesmo, a ex-ministra das Finanças, que não vai participar no congresso do PSD, diz que “parece-me bastante abusivo que façam referência ao meu nome”. E remata, em jeito de conclusão, que “não consigo entender como é que ele [Miguel Relvas] invocou o meu nome”.
A ruptura entre Manuela Ferreira Leite e o PSD ocorreu no início de Outubro passado, após a divulgação pública de que a ex-ministra das Finanças não tinha em dia o pagamento das quotas de militante. Desde então, o relacionamento entre Manuela Ferreira Leite, membro número um do Conselho Nacional do PSD e uma das figuras mais respeitadas do partido, e a direcção social-democrata nunca mais se recompôs.
Na entrevista ao Correio da Manhã, Miguel Relvas mandou também um recado ao actual Governo liderado por Pedro Santana Lopes: “espero que os membros do Governo estejam à altura deste desafio e sejam capazes de o acompanhar [primeiro-ministro]. O que o PSD quer é que o Governo tenha a passada, a dinâmica e a visão que o dr. Pedro Santana Lopes tem”. Com estas declarações, “uma atitude de atenção” dirigida aos governantes, o secretário-geral social-democrata deixa entender que o Executivo necessitará de uma remodelação em breve.
“Em termos políticos, eu não discuto pessoas, discuto políticas, e o que nós queremos é que haja membros no Governo como o ministro das Cidades, José Luís Arnault: o primeiro-ministro definiu a linha, e ele está a implementar uma linha do primeiro-ministro”, sublinhou Miguel Relvas.
José Luís Arnault é precisamente um dos nomes, assim como Morais Sarmento, apontados como candidatos à saída do Executivo de Pedro Santana Lopes. O actual primeiro-ministro parece decidido a esvaziar o seu Governo da influência dos “barrosistas”.
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