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Correio da Manhã

Política
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FERRO CRITICA DURÃO POR CAUSA DE PORTAS

Durão Barroso ignorou as críticas de Ferro Rodrigues na 'rentrée' do PSD, anteontem à noite em Caminha, mas o líder do PS insiste em acusar o primeiro-ministro de estar "completamente refém do seu parceiro de coligação", ou seja, Paulo Portas.
1 de Setembro de 2003 às 00:00
Ferro Rodrigues acompanhado por Jacinto Serrão, durante a festa anual do PS-Madeira
Ferro Rodrigues acompanhado por Jacinto Serrão, durante a festa anual do PS-Madeira FOTO: Homem de Gouveia/Lusa
Ontem, no Funchal, onde se deslocou para participar na festa anual dos socialistas da Madeira, a primeira presença de um líder nacional numa iniciativa do PS insular, Rodrigues desfiou um rol de críticas ao primeiro-ministro muito por via da presença do CDS-PP no Governo, que, em sua opinião, tem uma "importância desproporcionada".
Tal como já tinha feito no passado dia 23 em Portimão, o líder do PS disse que o CDS-PP tem um quinto dos votos do PSD e está a influenciar áreas-chave da governação, como a Defesa (através do ministro da Pasta, Paulo Portas) e as matérias sociais (controladas por Bagão Félix). Assim, e de acordo com as declarações do secretário-geral do PS, Barroso "foi incapaz de reconhecer os fracassos do Governo e assumir as suas responsabilidades".
Sobre essas responsabilidades, apontou o alegado facto de Barroso ter parado o País em termos de investimento público e privado, de ter congelado grandes projectos como o novo aeroporto de Lisboa e desenvolvimento de Alqueva. Além disso, acusou o líder do PSD de ter "ignorado os verdadeiros e graves problemas das famílias portuguesas".
Além disso, o líder do PS criticou Barroso de não ter ter feito, durante o comício de Caminha, qualquer menção ao "Verão trágico que afectou extensas áreas e muitas famílias"; de estar a adoptar a política do "prò ano", como um dirigente desportivo perdedor; e em matéria fiscal, de "não conseguir resolver um único problema de finanças públicas".
Ferro prometeu solidariedade partidária para com o PS-Madeira e defendeu ser necessário fazer "rimar autonomia com democracia, com respeito pelas regras democráticas", à semelhança do que vem acontecendo na Região Autónoma dos Açores.
Por seu turno, o presidente do PS-M, Jacinto Serrão, apontou baterias para o governo regional e a política do PSD-Madeira, presididos por Alberto João Jardim, a quem desafiou para um debate, sozinho, cara-a- -cara, sobre os problemas da Região.
Sustentou que Jardim "envergonha a Madeira e os madeirenses ao baixar o nível e usar de palavrões", considerando ser um dos motivos pelos quais Durão Barroso "não lhe quer dar o emprego que tanto deseja em Bruxelas".
DIOGO FEIO(CDS): SATISFAÇÃO E ELOGIOS
"Como parceiros de coligação ouvimos com satisfação a referência a um projecto que ultrapassa uma legislatura", afirmou Diogo Feio, vice-presidente do grupo parlamentar do CDS-PP. O deputado sublinhou, também, a importância da redução do IRC de 30 para 25 por cento para a competitividade das empresas portuguesas.
JERÓNIMO DE SOUSA (PCP): ESTEVE A FALAR"PARA MARTE"
"O primeiro-ministro não tinha de responder às críticas da oposição, mas não podia ignorar os problemas do País", considerou o deputado do PCP Jerónimo de Sousa, adiantando que "talvez por influência da proximidade de Marte, Barroso esteve a falar para outro planeta". O deputado adiantou que este foi "um discurso de ilusionismo".
MIGUEL PORTAS (BE): "ATESTADO DE MENORIDADE"
"O primeiro-ministro comparou o povo a uma criança a quem o Governo, como um pai, pede que se comporte bem para, já não em 2006, mas em 2010 receber um prémio pelo seu bom comportamento", acusou Miguel Portas, acrescentando que Barroso passou um "atestado de menoridade aos portugueses".
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