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Correio da Manhã

Política
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Ficava bem não se recandidatar

As eleições antecipadas para a presidência do PSD estão a causar uma crise interna no partido, com críticas à forma como as candidaturas têm aparecido e à recandidatura do próprio Marques Mendes.
19 de Julho de 2007 às 00:00
Rui Machete defende o actual líder contra as críticas de Mira Amaral, enquanto Pacheco Pereira alerta para a desagregação do PSD
Rui Machete defende o actual líder contra as críticas de Mira Amaral, enquanto Pacheco Pereira alerta para a desagregação do PSD FOTO: Fotomontagem CM
As críticas surgem de Mira Amaral e Ângelo Correia, ex-ministros de Cavaco Silva, e de Pacheco Pereira, enquanto Rui Machete, ex-presidente do PSD, e Eduardo Catroga, ex-ministro de Cavaco, defendem o actual líder. Rui Rio garantiu ontem que não é candidato. Mendes, Luís Filipe Menezes e Aguiar Branco (que ontem celebrou o 50.º aniversário) mantêm-se como os possíveis candidatos.
Ontem, Mira Amaral e Ângelo Correia foram incisivos nas críticas a Marques Mendes. Considerando que “a gestão do dossiê político na Câmara de Lisboa foi desastroso”, Mira Amaral diz que “ficava-lhe bem não se recandidatar [à presidência do PSD]”. E remata: “Não o critico pela oposição ao Governo, porque seria difícil para quem quer que estivesse na liderança, agora devia ser coerente como a presidente da distrital de Lisboa [Paula Teixeira da Cruz], que não se recandidata.” Já Ângelo Correia diz que as eleições antecipadas eram “a única maneira de se permitir alguma recredibilização do partido”.
Em defesa do actual líder surgem Rui Machete e Eduardo Catroga. Para Machete, “Marques Mendes deve recandidatar-se [à liderança]”. E, “perante os candidatos que têm vindo a lume, ele é claramente o melhor”, frisa. “Cometer um erro na Câmara de Lisboa não justifica que não continue como líder e não mereça a confiança do partido”, diz. Eduardo Catroga frisa que “tem de haver estabilidade política e isso passa pela estabilidade do Governo e da oposição”. E não tem dúvida de que Marques Mendes “tem exercido com uma grande dignidade a sua função”.
Para já, Marques Mendes conta com vários nomes de peso na comissão de honra da sua candidatura: Fernando Ruas, Carlos Pimenta, Teresa Patrício Gouveia, Ministro dos Santos, ex-apoiante de Luís Filipe Menezes, Silva Peneda, Eduardo Catroga são alguns deles.
Pacheco Pereira dirige as críticas, como disse na ‘Quadratura do Círculo’, na SIC Notícias’, para a guerra entre o aparelho e pequenos grupos de interesses. E, deste modo, diz que “o estado de desagregação do partido acelera-se”.
No seu blogue (Abrupto) escreveu: “Candidatos de aparelho, preocupações de aparelho. Nestas alturas percebe-se que todos olham a vida interna partidária como uma constante série de falcatruas dos outros e vice-versa.”
TEIXEIRA DA CRUZ PEDE ELEIÇÕES
A presidente da Comissão Política Distrital do PSD apresentou na noite de terça-feira a demissão de presidente da distrital do PSD em Lisboa. Paula Teixeira da Cruz anunciou ainda que não irá recandidatar-se ao cargo, admitindo que o partido está “em crise”. Em declarações aos jornalistas, no intervalo da reunião da Comissão Política Distrital, Teixeira da Cruz frisou que não se trata de pôr o cargo à disposição, porque “os cargos são electivos e, portanto, concorre-se para esses cargos”. Helena Lopes da Costa disse ontem que mantém a intenção de se candidatar à presidência da distrital do PSD de Lisboa. Carlos Carreiras, vice-presidente da Câmara de Cascais, poderá também ser candidato.
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