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Correio da Manhã

Política
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"Fizemos tudo depressa e mal"

Nicolau Breyner assume preferência por Pedro Passos Coelho
30 de Maio de 2011 às 00:30
NICOLAU BREYNER, ENTREVISTA, LEGISLATIVAS, ACTOR, ELEIÇÕES
NICOLAU BREYNER, ENTREVISTA, LEGISLATIVAS, ACTOR, ELEIÇÕES FOTO: DR

Correio da Manhã – Vai votar no dia 5 de Junho?

Nicolau Breyner – Vou votar, sim senhor.

– O que diria às pessoas que pensam ficar em casa no dia das eleições?

– Que fazem mal em ficar em casa. O voto é o único instrumento de que dispomos em democracia. Estas eleições vão eleger um governo que, o mínimo, vai ficar quatro anos no poder. Depois não se queixem se correr mal.

– Entre José Sócrates e Pedro Passos Coelho, qual deles lhe parece mais bem preparado para ser o próximo primeiro-ministro de Portugal?

– Pedro Passos Coelho indiscutivelmente. Não escondo a minha preferência. Não estou de acordo com o programa do PS, que é um dos responsáveis pelo estado lamentável em que Portugal está.

– Como analisa a intenção de Pedro Passos Coelho em querer extinguir o Ministério da Cultura?

– Ele não quer extinguir o Ministério da Cultura, ele pretende é outro modelo, talvez ficar dependente do primeiro-ministro, ou funcionar como uma secretaria de Estado. Se o objectivo fosse a extinção total, eu próprio estaria contra. Todavia, olhando para a forma como, neste momento, o Ministério da Cultura funciona não sei se não seria melhor acabar com ele.

– Quais os principais problemas da Cultura?

– Pouco investimento, que também tem a ver com a crise económica que o País atravessa. Infelizmente, quando é preciso cortar é sempre na cultura. Depois, parte-se sempre do princípio que a cultura não é rentável. Não se pode esperar que o sector seja auto-financiável.

– O que gostaria de ver mudado em Portugal depois destas eleições?

– A resposta seria uma longa lista. Sou, e sempre fui, um euro-céptico, e infelizmente tinha razão. A Europa serve os grandes estados. Fomos instigados a não pescar, não cultivar, e, agora, somos acusados de não cumprir. E somos um País de gente precipitada. Fizemos o 25 de Abril apressadamente, com medo de sermos acusados de colonialistas. Aderimos apressadamente à moeda única para ficarmos na linha da frente. Fizemos tudo depressa demais e mal.

– Concorda com o aumento do IVA?

– Não. Os bens de consumo não devem ser aumentados. A política fiscal neste país tem de ser revista.

– E o aumento da idade da reforma?

– Não mexeria na idade da reforma. Não é aqui que está o problema. Andamos sempre a tapar o sol com a peneira, quando o problema está nas empresas do Estado, fazer obras em vez de aproveitar equipamento desactivado. Eles portam-se mal e nós é que pagamos.

NICOLAU BREYNER ENTREVISTA LEGISLATIVAS ACTOR ELEIÇÕES
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