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Correio da Manhã

Política
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Folga de três mil milhões de euros

O primeiro-ministro admitiu ontem que o défice do Estado de 2011 abaixo dos 4,5 por cento este ano permitirá ao Governo uma "disponibilidade monetária" entre dois e três mil milhões de euros para regularizar dívidas. Recusando falar em folga orçamental, Passos Coelho reiterou ontem o valor do défice estimado, abaixo dos 5,9% definidos com a troika, como já tinha avançado ao Correio da Manhã.

14 de Dezembro de 2011 às 01:00
O primeiro-ministro, Passos Coelho, deu os parabéns à Autoeuropa, que apontou como bom exemplo
O primeiro-ministro, Passos Coelho, deu os parabéns à Autoeuropa, que apontou como bom exemplo FOTO: Tiago Petinga/Lusa

"Atendendo à transferência de fundos de pensões da Banca, o Estado disporá de uma certa disponibilidade monetária para poder pagar dívidas. É uma matéria que vamos discutir com a troika em Fevereiro, mas à partida existe uma disponibilidade de pelo menos 2 mil milhões de euros, que pode chegar aos 3 mil milhões", afirmou o primeiro--ministro, à margem das comemorações do 20º aniversário da Autoeuropa. Pedro Passos Coelho garantiu que, sem as medidas extraordinárias adoptadas, o défice do Estado estaria nos 8% e reitera a necessidade de disciplina orçamental para o próximo ano. "[Em 2012] o País precisa na mesma de um défice que não seja superior a 4,5%", referiu. Quanto a medidas de austeridade, o governante garante que não estão previstas nenhumas que não constem já do Orçamento do Estado. Não fizemos o Orçamento do Estado de forma artificiosa", acrescentou ainda.

O primeiro-ministro participou na cerimónia que assinalou os 20 anos da fábrica de Palmela, tendo sido anunciado pela administração do Grupo Volkswagen um investimento de 200 milhões de euros nas instalações no próximo ano.

Uma notícia que contrasta com o anúncio da Nissan de suspender a fábrica de baterias em Aveiro. Passos Coelho garantiu que não houve nenhuma política governamental que tenha afastado a construtora, afirmando que o investimento apenas foi adiado e esperando que venha a concretizar-se no futuro.

"GOVERNO NÃO TINHA RAZÃO PARA CORTAR SUBSÍDIOS"

"Esta redução do défice não corresponde a um ajustamento estrutural mas apenas a uma operação extraordinária. A verificação deste resultado sem a incorporação de toda a receita disponível demonstra que o Governo não tinha qualquer razão para ter cortado 50% do subsídio de Natal aos portugueses, tal como o PS sempre afirmou", disse ao CM o líder parlamentar socialista, Carlos Zorrinho. Do BE, Pedro Filipe Soares avisa que a operação será "o défice de amanhã da Segurança Social".

ORÇAMENTO PASSOS COELHO AUSTERIDADE
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