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Correio da Manhã

Política
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Francisco Louçã critica PS por defender reforço do BCE

O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, criticou hoje o PS por defender o reforço do Banco Central Europeu (BCE) ao mesmo tempo que defende a política de austeridade prevista no tratado orçamental.
24 de Junho de 2012 às 16:49
Francisco Louçã esteve numa sardinhada na Foz do Arelho
Francisco Louçã esteve numa sardinhada na Foz do Arelho FOTO: Carlos Barroso/Lusa

"O PS não pode propor uma maior intervenção do BCE, uma política orçamental contra a austeridade, ao mesmo tempo que defende a austeridade, porque aprovou o tratado orçamental que prevê que não possa haver segurança social, escola pública, e saúde pública", disse à Lusa Francisco Louçã.

O líder bloquista reagia à falta de entendimento entre a maioria PSD/CDS e o PS, que anunciaram na sexta-feira o falhanço da tentativa de acordo para alcançar uma posição comum para levar ao Conselho Europeu de 28 e 29 de Junho.

No debate quinzenal com o primeiro-ministro, na próxima quarta-feira, serão discutidas duas recomendações distintas. O projecto de resolução do PSD e CDS-PP sublinha o consenso nacional em torno de uma 'Iniciativa Europeia para o Crescimento e para o Emprego' e recomenda ao Governo, entre outros pontos, uma progressiva convergência fiscal a nível europeu e a aceleração das reformas estruturais nos mercados de bens e serviços, coordenando-as com "o aprofundamento do mercado interno através da remoção das barreiras às actividades económicas intraeuropeias e ao reconhecimento mútuo e da dinamização da concorrência".

A proposta dos socialistas insiste no reforço do BCE, nas euro-obrigações e na "defesa da celebração de um Acto Adicional ou de um Tratado complementar ao Tratado sobre Estabilidade, Coordenação e Governação na União Económica e Monetária, que consagre uma agenda para o crescimento e o emprego".

Francisco Louçã diz tratar-se de mais uma etapa do jogo de "um-dó-li-tá em que houve desentendimento há um mês, entendimento há duas semanas e agora já não há". Mas grave, sustenta, "é o PS e PSD terem estado de acordo com o tratado orçamental que proíbe a política económica contra a recessão".

É por isso, defende, que "não há resposta para Portugal na União Europeia" e que o país precisa de "uma esquerda que aprenda com o que se está a passar na Grécia", uma vez que "só quando o povo exigir uma democracia de responsabilidade é que conseguimos impedir estas soluções da troika e estas soluções que a [Angela] Merkel [chanceler alemã] tem imposto em todo a Europa".

 


Loução falava na Foz do Arelho, no concelho das Caldas da Rainha, onde hoje participou numa sardinhada promovida pela concelhia local do Bloco de Esquerda, em defesa da lagoa de Óbidos.

Na iniciativa que teve lugar no âmbito do programa nacional do Bloco de Esquerda 'Jornadas contra a Troika', Francisco Louçã aludiu às "derrapagens orçamentais" como um sinal de que "o Governo não consegue controlar as contas públicas", como atesta a queda de 3,5 por cento das receitas fiscais, divulgada no boletim da Direcção Geral do Orçamento (DGO).

Pouco surpreendido com "o buraco de dois milhões de euros" nas contas públicas, Louçã defende que os portugueses só podem concluir que, com  a política seguida por este Governo", a "economia fica muito pior" e, por outro lado, "a divida fica muito maior".

Portugal "está hoje muito mais próximo da falência" e "precisamos de pôr tudo o que temos na recuperação da economia e não no desastre da economia",  onde, conclui Louçã, "a política da troika nos tem levado".

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