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Correio da Manhã

Política
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Freeport: Engenheiro admite luvas a "alguém muito importante"

João Cabral, o engenheiro civil que trabalhou para a Smith & Pedro na época do projecto Freeport vai ser posto frente a frente com os advogados José Gandarez, Alexandre Oliveira e Albertino Antunes.
26 de Junho de 2012 às 13:23
Licenciamento do Freeport sob suspeita
Licenciamento do Freeport sob suspeita FOTO: Francisco Paraíso

A decisão do colectivo de juízes do Tribunal do Barreiro surge porque João Cabral disse esta terça-feira que, numa reunião do dia 4 de Dezembro de 2001, estes advogados disseram à Smith & Pedro que o projecto Freeport ia ser chumbado e para desbloquear o processo teriam pedido o pagamento de dois milhões de libras .

João Cabral contou que ficou em choque e que todas as indicações que tinha era que o projecto ia ser aprovado por isso, disse, a Smith & Pedro pediu aos advogados que colocassem por escrito este pedido. É aí que surge um fax no dia seguinte onde o dinheiro pedido passa de dois milhões para 1250 milhões de libras. O colectivo de juízes advertiu João Cabral que incorria no pagamento de uma multa e até prisão por falsas declarações. É então que após  muita insistência por parte dos juízes e do Ministério Público que João Cabral, depois de inicialmente ter começado por negar a existência de pagamentos ilícitos, acabou por admitir que havia mesmo estes pagamentos “a alguém muito importante. Mas não sabia quem era.”

 

Pela primeira vez, e após novamente grande insistência por parte do colectivo de juízes, João Cabral admite que José Sócrates tenha estado presente na reunião de 2 de Janeiro de 2002 já após o segundo chumbo do projecto Freeport, estando presente na qualidade de ministro do Ambiente.

À saída, João Cabral afirmou aos jornalistas que a existência de um DVD em que ele aparece a falar sobre os pagamentos a José Sócrates “é virtual”, alegando não conhecer a gravação. De recordar que este DVD não faz parte das provas admitidas em julgamento e que embora várias testemunhas se tenham referido ao conteúdo do DVD, nunca o referiram tacitamente. Nem o colectivo de juízes nem o Ministério Público o pode fazer, sob pena de a defesa requerer a imediata anulação do julgamento.

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