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Correio da Manhã

Política
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Freitas prepara saída

Freitas do Amaral poderá estar a preparar a saída do Governo num prazo não muito longo. Ao que o Correio da Manhã apurou, o ministro dos Negócios Estrangeiros, descontente com a forma como decorreu a escolha do candidato presidencial do PS e com a previsível limitação orçamental para o seu ministério em 2006, “há-de arranjar todo o tipo de subterfúgios para sair [do Executivo] por cima”, nas palavras de um alto dirigente socialista.
5 de Setembro de 2005 às 00:00
Para já, Freitas do Amaral autorizou a colocação do seu ex-chefe de gabinete, José Augusto Duarte, na embaixada de Madrid, desde o dia 14 de Agosto. E, segundo garantem fontes ligadas ao meio diplomático, “o ministro podia impedir isso se quisesse, até porque ele [Augusto Duarte], enquanto chefe de gabinete, não estava a perder na [sua] carreira” diplomática. Para a mesma fonte, esta colocação “pode ser entendida como ele [Freitas do Amaral], na perspectiva de sair, colocar já o chefe de gabinete para o futuro”. Isso “é o que se costuma fazer no fim do Governo”, remata.
Outro sinal de que Freitas do Amaral considerará que “agora não está ali a fazer nada [no Executivo]”, na expressão do alto dirigente socialista, é o artigo que o ministro escreveu na última edição da ‘Visão’, onde faz o balanço da sua actividade em seis meses. “Aquele artigo que ele escreveu na ‘Visão’ é um bocado estranho: aquilo é só querer demonstrar o trabalho que fez”, frisa o alto dirigente do PS.
Fonte ligada ao meio diplomático reforça esta tese: “Não é normal um membro do Governo, ao fim de seis meses, escrever artigos a fazer um balanço sobre a sua actividade política, ainda por cima um ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros”. Mais: “Quem tem alguma experiência de governar, percebe que isto é de alguém que se sente acossado e vê o seu perímetro de acção política limitado”.
A entrevista de Freitas ao ‘DN’, em Julho, quando disse que “não seria estranho se saísse do Governo para ser candidato” às presidenciais, é ainda uma referência. “Ele devia ter expectativas quanto à campanha presidencial”, diz o alto dirigente do PS. Mário Soares já tentou, aliás, obter o apoio de Freitas, mas o CM sabe que o ministro mostrou-se pouco interessado em apoiá-lo e terá dito que, como estava no Governo, não apoiaria nenhum candidato. O gabinete do primeiro-ministro considera a hipótese de saída de Freitas do Amaral “pura especulação”.
REVISTA 'VISÃO' 01/09
O apontamento que aí fica é um resumo e visa recordar: mas deve também ser lido como um sorriso dirigido àqueles que, por mero sectarismo partidário, consideram o meu nome uma má escolha para o Palácio das Necessidades – que não ia aguentar as viagens, que ía levantar problemas insoluveís com os EUA, que não tinhas amigos nem interesse na África ou no Brasil... Ora, como diz o povo minhoto, que Deus lhes dê muita saúde! Ministro dos Negócios Estrangeiros
DETALHES
RENDIMENTO
Quando o Governo tomou posse, em Março, Freitas do Amaral era o membro do Governo com o rendimento anual mais elevado: por ano, o jurista ganhava 570 757 mil euros ilíquidos.
SALÁRIO
Aceitando ir para o Governo como ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral perdeu uma fatia importante do rendimento: agora ganha 6415,2 euros/mês.
REFORMA
Quando foi para o Executivo, Freitas do Amaral suspendeu a reforma que auferia como deputado. Com esta atitude, o ministro livrou-se de críticas, como aconteceu com Campos e Cunha.
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