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Correio da Manhã

Política
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Fuga de 305 milhões dos certificados

Pelo segundo mês consecutivo desde que o Ministério das Finanças introduziu novas regras nos certificados de aforro, o investimento neste popular produto de poupança mantém uma apreciável tendência de decréscimo: em apenas dois meses o desinvestimento totalizou 305 milhões de euros, dos quais 143 milhões em Março, uma das maiores quebras desde 2001.
16 de Abril de 2008 às 11:00
O ministro das Finanças alterou as regras de remuneração dos certificados de aforro em Fevereiro
O ministro das Finanças alterou as regras de remuneração dos certificados de aforro em Fevereiro FOTO: Duarte Roriz

O boletim de Março do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP), entidade responsável pela gestão dos certificados de aforro, revela que depois de em Fevereiro ter havido um desinvestimento de 162 milhões de euros neste produto de poupança, em Março a fuga do investimento ascendeu a 143 milhões de euros. Por isso, no final de Março o investimento total totalizava 17,8 milhões de euros, valor inferior aos 18 mil milhões registados no final de Fevereiro.

Mesmo assim, Alberto Soares, presidente do IGCP, considera que "não há motivo para preocupação [com este desinvestimento nos certificados de aforro]", até porque "o aumento da taxa de juro, desde que foi criada a nova série, fez-se sentir pela primeira vez em Abril".

Em Março, as amortizações de certificados de aforro atingiram 242 milhões de euros, valor um pouco inferior aos 260 milhões amortizados no mês anterior.

As novas emissões de certificados mantiveram-se praticamente iguais: em Março foram investidos 99 milhões de euros, contra 98 milhões de euros em Fevereiro.

SÉRIE C VENCE OS BANCOS

Mesmo com as alterações nos certificados de aforro da série C, este produto de poupança contínua a apresentar taxas de remuneração superiores às propostas de muitos bancos. Por exemplo, na simulação efectuada ao lado verifica-se que para um investimento no prazo de dez anos a série C garante uma taxa de juro efectiva líquida anual de 3,8 por cento, perdendo apenas para os certificados da série B.

APONTAMENTOS

PERMANÊNCIA

Na série C, emitida em Fevereiro, o prémio de permanência subiu de dois por cento para 2,,5 por cento, mas a percentagem máxima só é paga após o 9.º ano.

PRAZO MÁXIMO

Os certificados de aforro da série C têm um prazo de investimento máximo de dez anos. Esta série tem uma fórmula de cálculo dos juros mais desvantajosa.

700 MIL

Mais de 700 mil portugueses têm investimentos nos certificados de aforro. Com as alterações o Estado poderá poupar quase cem milhões de euros.

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