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Correio da Manhã

Política
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Gaspar acusa PS de ter "sector radical"

O ministro de Estado e das Finanças acusou esta terça-feira o PS de estar pressionado por um "sector radical" e advertiu para o perigo de debilitação do sistema político português, apelando ao "sector moderado" dos socialistas para que resista.
27 de Novembro de 2012 às 16:05
Vítor Gaspar, ministro das Finanças, criticou o PS mas apelou à sua cooperação
Vítor Gaspar, ministro das Finanças, criticou o PS mas apelou à sua cooperação FOTO: Lusa

No encerramento da discussão do Orçamento do Estado para 2013, na Assembleia da República, Vítor Gaspar insistiu na importância da participação do PS no debate que o Governo quer promover sobre as funções do Estado, que disse ter como objectivo criar o que chamou de "Estado de investimento social", que seja sustentável.

O ministro das Finanças considerou que seria incompreensível uma recusa do PS em contribuir para esse debate "decisivo para o futuro de Portugal" e alegou que "as hesitações e ambiguidades" dos socialistas nesta matéria resultam de uma divisão interna.

Perante protestos e apartes da bancada socialista, Vítor Gaspar afirmou: "Há neste PS um lado que defende propostas radicais e aventureiras. Radicais, porque saem fora do consenso europeu e da sua própria família política. É exemplo a sugestão do financiamento monetário da dívida pública pelo Banco Central Europeu".

"Aventureiras, porque entraram por caminhos desconhecidos sem explicitar os perigos que contêm. É exemplo a polarização populista contra o programa de ajustamento como acordado com o Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu", completou.

Sem se referir directamente ao secretário-geral do PS, António José Seguro, o ministro das Finanças apelou: "Em tempos de crise e emergência o radicalismo e o populismo são perigosos. Quando os problemas são especialmente sérios, e é este o caso neste momento, torna-se tentador procurar soluções em jogadas de alto risco. Temos de resistir a essa tentação".

Segundo Vítor Gaspar, "existe um outro lado no PS, um lado moderado e herdeiro de uma orgulhosa linhagem europeísta", que tem "um sentimento de responsabilidade" e que "trará o PS ao debate sobre as funções do Estado".

O ministro das Finanças elogiou "a prudência, contra a tentação radical", e dramatizou: "Tudo será muito mais difícil se o nosso sistema político não souber resistir às tentações que enfrenta neste momento".

Vítor Gaspar lembrou depois que o Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal foi assinado pelo PS, PSD e CDS-PP.

"A esmagadora maioria dos deputados desta Assembleia da República foi eleita com o mandato claro de promover o ajustamento e superar a crise. É uma enorme responsabilidade. Em momentos de crise, existem duas alternativas: ou a crise é gerida pelo sistema político, ou o sistema político é debilitado pela crise", concluiu.

O Governo PSD/CDS-PP tem associado a reforma do Estado a uma diminuição da despesa pública em 4 mil milhões até 2014.

Esta terça-feira, o ministro das Finanças citou dados da evolução da despesa desde o ano 2000, durante um período maioritariamente de governação do PS.

Em seguida, observou que "o excesso de despesa pública não foi a via para o crescimento, foi a via para o descrédito público" e advogou que os "programas discricionários" de apoio social e os gastos em sectores como a educação não produziram os resultados pretendidos.

De acordo com Vítor Gaspar, é preciso simultaneamente reduzir o nível de despesa e garantir que o Estado exerce as suas funções sociais de forma eficaz e equitativa, o que impõe escolhas.

"A máxima prioridade deve ser colocada no investimento social, nas crianças e nos jovens", através de um Estado que "promova o sucesso profissional" e "o desenvolvimento de capacidades", para que Portugal consiga "níveis aceitáveis de mobilidade social", defendeu.

ORÇAMENTO VOTAÇÃO VÍTOR GASPAR PS
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