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Correio da Manhã

Política
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Gestores da EPUL acusam Fontão

Os ex-admistradores da EPUL Luísa Amado e Arnaldo João contradisseram ontem o ex-vice--presidente da Câmara de Lisboa Fontão de Carvalho ao afirmar que o responsável autorizou a atribuição de prémios de gestão.
18 de Março de 2009 às 00:30
Fontão de Carvalho garantiu na primeira sessão de julgamento que não autorizou o pagamento de prémios aos administradores da EPUL
Fontão de Carvalho garantiu na primeira sessão de julgamento que não autorizou o pagamento de prémios aos administradores da EPUL FOTO: Mariline Alves

Os antigos administradores da empresa, que respondem em tribunal por peculato, invocaram uma reunião ocorrida em finais de 2005 entre Fontão de Carvalho e Aníbal Cabeça, também ex-administrador da EPUL, na qual o então vice-presidente da autarquia terá autorizado o pagamento dos prémios.

'Aníbal Cabeça disse que a Câmara estava toda contente com o nosso desempenho e que Fontão de Carvalho deu autorização para se proceder à atribuição dos prémios', disse Luísa Amado no Tribunal da Boa-Hora. 'Para mim, isto é uma autorização da Câmara', continuou.

Arnaldo João, por seu turno, concentrou-se em descartar responsabilidades nesta matéria. 'Nunca atribuímos prémios a nós próprios. Aníbal Cabeça disse-nos que a Câmara dava os prémios de gestão', referiu.

As declarações dos arguidos chocam com afirmações proferidas por Fontão de Carvalho na primeira sessão do julgamento, em que o ex-vice da CML garantiu não ter autorizado o pagamento dos prémios. 'Não tinha competência para isso', sustentou. Mais à frente, porém, o responsável acabou também ele por se contradizer, ao afirmar que, embora os prémios tivessem sido aprovados no mandato anterior, 'podia ter dado uma orientação política diferente'.

Confrontado com as diferentes versões, Aníbal Cabeça, que terá servido de intermediário entre a CML e a EPUL neste processo, confirmou que solicitou 'a concordância política' do novo executivo camarário para a atribuição dos prémios. E acredita que 'se a Câmara quisesse os prémios não tinham sido atribuídos', apesar de 'estarem orçamentados'.

A próxima sessão de julgamento está agendada para 24 de Março.

OUTROS DADOS

DEVOLUÇÃO DE PRÉMIOS

Luísa Amado devolveu o prémio após notícias publicadas na Comunicação Social. 'Ou devolvia ou pedia a demissão.'

PERÍODO CONTURBADO

Os arguidos invocam a mudança de presidência na EPUL para justificar a não-ratificação da proposta de atribuição de prémios.

FUNÇÕES ACUMULADAS

Os prémios eram atribuídos a administradores da Imohífen e da GF (empresas participadas da EPUL), que eram também administradores da EPUL.

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