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Correio da Manhã

Política

Governo aprova subida de salário mínimo para 635 euros. Patrões reclamam mais condições

Valor definido pelo Executivo é superior aos 25 euros defendidos pelos patrões mas "insuficiente" para o secretário-geral da CGTP.
Raquel Oliveira e J.M. 14 de Novembro de 2019 às 09:19
O Governo propôs ontem aos parceiros sociais um aumento de 35 euros no salário mínimo, o primeiro patamar para chegar a 750 euros em 2023
O Governo propôs ontem aos parceiros sociais um aumento de 35 euros no salário mínimo, o primeiro patamar para chegar a 750 euros em 2023 FOTO: Lusa
O aumento do salário mínimo para 635 euros é aprovado esta quinta-feira em Conselho de Ministros, entrando em vigor a 1 de janeiro de 2020. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro na Assembleia da República, depois de a ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, ter anunciado o valor aos parceiros sociais.

Trata-se de um aumento de 35 euros, tendo em conta o objetivo já definido pelo Executivo, ou seja, chegar aos 750 euros em 2023, como reafirmou esta quarta-feira Ana Mendes Godinho no final da reunião da Concertação Social, com os representantes das confederações patronais e das centrais sindicais.

Para o Ministério do Trabalho, o aumento de 505 euros, em 2015, para 600 euros, em 2019, "permitiu uma valorização real próxima dos 14% do poder de compra dos trabalhadores abrangidos" pelo salário mínimo.

O valor definido pelo Executivo para 2020 é superior aos 25 euros defendidos pelos patrões mas considerado "insuficiente" para o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, que garante haver condições para um aumento mais elevado.

Para a UGT, o valor era "a linha vermelha mínima", afirmou o secretário -geral da central, Carlos Silva, defendendo uma convergência com aquele que é atualmente o salário mais baixo na Função Pública.

A proposta de Ana Mendes Godinho não teve assim o acordo dos parceiros sociais mas, segundo a lei, o Governo só é obrigado a ouvir patrões e sindicatos, podendo decidir sozinho. Para a ministra, tratou-se do "início de um caminho".

No documento entregue esta quarta-feira aos parceiros sociais, o Governo dá a indicação do que se deverá seguir: "O crescimento da massa salarial não alcançou ainda o ritmo de necessário para garantir o desejado equilíbrio na repartição funcional dos rendimentos."

Os parceiros sociais voltam a reunir-se com a ministra do Trabalho no próximo dia 27 de novembro, que contará com a participação do ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, e do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes.

54% da riqueza detida por 10% das famílias com mais posses
As famílias portuguesas que integram o conjunto das 10% mais ricas detinham, em 2017, quase 54% da riqueza líquida total do conjunto dos agregados familiares do País. Já 50% das mais pobres tinham ao seu dispor uma fatia de apenas 8,1%, de acordo com informação avançada esta quarta-feira pelo Banco de Portugal no inquérito à situação financeira das famílias.

"Estes dados ilustram a forte assimetria que caracteriza a distribuição da riqueza", concluem os autores do estudo. Na realidade, desde 2010 que o grupo dos detentores de maior riqueza se distancia do patamar dos 50% mais pobres. Nesse ano, os primeiros eram donos de 51,6% da riqueza total, menos 2,4 pontos percentuais face ao valor apurado em 2017. Quanto aos segundos, contavam com um ‘pecúlio’ de mais seis décimas: detinham 8,7% da riqueza líquida de todos os agregados.

Os anos da crise económica foram marcantes para agravar as assimetrias, pois em 2013 os registos do Banco de Portugal mostram que o fosso entre os 10% mais ricos e os 50% mais pobres agravou: os primeiros já detinham 53% da riqueza e os segundos apenas 7,2% .

NÚMEROS
162,3 mil euros era o valor médio da riqueza das famílias portuguesas. Este valor é apurado diminuindo o montante das dívidas aos ativos (como imóveis ou dinheiro no banco) que possuem.

74,8 mil euros era, por seu turno, o valor mediano da riqueza das famílias em 2017. O valor é inferior à média porque da equação se retiram os muito ricos e os muito pobres.

13% foi a subida média da riqueza líquida das famílias portuguesas entre 2013 e 2017. Já o valor mediano (sem mais ricos e sem mais pobres) revela que essa riqueza subiu apenas 10%.

87% dos bens que mais importância têm na riqueza das famílias são os imóveis. Nos ativos financeiros, o maior peso é dos depósitos à ordem (para pobres) e a prazo (para ricos).

80% do total da dívida das famílias diz respeito ao empréstimo para a compra da residência principal. Aliás, 74,5% das famílias tinham, em 2017, uma casa entre os seus ativos.
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