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Correio da Manhã

Política
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Governo começou limpeza no SIS

A reestruturação dos serviços de informações, na dependência do primeiro-ministro, passa por fusões e criação de uma única estrutura dirigente.
7 de Agosto de 2011 às 00:30
Secretas dependem directamente do primeiro-ministro
Secretas dependem directamente do primeiro-ministro FOTO: José Sena Goulão

O Governo está já a fazer uma limpeza nas Secretas. Nos últimos dez dias foram dispensados mais de vinte elementos do Serviço de Informações de Segurança (SIS) recrutados no tempo de José Sócrates.

Segundo apurou o CM, nas próximas semanas são esperadas mais saídas de outros serviços, nomeadamente do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED). Ao mesmo tempo estão a ser recrutados novos elementos.

A maioria dos dispensados são do SIS com menos de seis anos de serviço, o que facilita o despedimento, porque só a partir dessa altura é que adquirem vínculo ao Estado. Segundo as nossas fontes, a "razia" poderá mesmo estender-se a altos quadros dos serviços, alguns deles decisores.

As últimas notícias sobre alegadas fugas de informação dos serviços e eventuais escutas estão a causar desconfiança nos meios técnicos usados pelos ‘espiões'. O CM apurou que nas reuniões foi proibido o uso de computadores e telemóveis e a informação confidencial passou a ser feita em papel.

Outra questão em cima da mesa é a reestruturação das Secretas. A ideia é colocar os três serviços (SIS, SIED e o CISMIL - a secreta militar) no mesmo plano e na dependência de uma única estrutura dirigente. Possibilidade que não está a agradar às chefias militares.

SUPERESPIÃO QUER SER OUVIDO

Jorge Silva Carvalho, ex-director do Sistema de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) e principal suspeito do "envio indevido de informação", continua a afirmar-se inocente e reclama o "conhecimento integral das conclusões" do inquérito entretanto efectuado. Silva Carvalho pretende também ser ouvido na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, tendo efectuado um pedido formal nesse sentido. O PS pediu também a sua audição, mas o presidente da comissão, Fernando Negrão, disse que iria pedir primeiro as conclusões do inquérito ao Governo e que só depois se decidirá ou não a sua chamada. O ex-director do SIED entregou também uma queixa-crime por violação de correspondência. 

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