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Correio da Manhã

Política
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GOVERNO DEPENDENTE DA MODERNA

O Governo parece estar “dependente de depoimentos do Tribunal de Monsanto (caso Moderna), o que dá a sensação que a estabilidade governativa fica em causa”. A análise é de Ferro Rodrigues que ontem voltou a fazer referências sobre o processo da Moderna ao traçar um cenário “pouco confortável” para Barroso.
27 de Abril de 2003 às 00:00
O discurso do Presidente da República no 25 de Abril sobre as questões sociais também não deixa margem para dúvidas e dá razão às posições do PS.
Nesse sentido, o Executivo deve dar respostas ao repto de Sampaio e esclarecer se se sente confortável com o impacto do caso Moderna já no debate mensal no Parlamento, dia 29, insistiu o líder do PS num almoço de comemoração dos 30 anos do partido, organizado pelos fundadores do partido em Lisboa. Quanto a Paulo Portas, o secretário-geral socialista limitou-se a dizer que já pediu a sua “demissão uma vez” e é desnecessário repetir-se.
Depois de ter explicado os condicionalismos do Executivo, Ferro deixou claro que a reforma do sistema político continua, até porque em Democracia “não há lugar a birras”.No entanto, avisou o PSD que se quebrou a confiança, logo um futuro entendimento para as outras matérias que a comissão eventual da reforma do sistema político vai ser mais difícil. Mas está disponível para ultrapassar os incidentes sobre o financiamento.
Questionado sobre a possibilidade de dar o primeiro passo para retomar o consenso, o líder do PS limitou-se a dizer que o ónus de quem faz o primeiro contacto não é fundamental. Aliás, lembrou que o CDS fez uma manifestação no Largo Caldas contra o PS e que nem por isso deixou de pedir um encontro com o líder, Paulo Portas. “Os contactos entre partidos é algo que é normal num sistema democrático”, concluiu.
Ferro desvalorizou ainda a ausência de Mário Soares no almoço.
FUNDADORES DO PS CRITICAM ANTÓNIO GUTERRES
“Um político deve lutar até ao fim. Deveria ter preparado melhor a sua saída”. Desidério Lucas do Ó e Fernando Loureiro ambos fundadores do PS, juntaram-se num almoço para celebrar a noite de 19 de Abril de 1973 em Bad Münstereifel, Alemanha. Até Jorge Sampaio enviou uma missiva. Mas foram as memórias recentes que marcaram o diálogo dos dois convivas. O alvo foi António Guterres, o último líder do PS que governou o País.
“Foi uma oportunidade perdida”, afirmou Fernando Loureiro sobre os seis anos de Governo. A saída do poder e da liderança do partido não podiam ter sido feitas daquela forma. “Existiam pessoas preparadas para o suceder”, referiu Desidério Lucas do Ó, antes do almoço. A seguir, Ferro garantiu que "a História fará justiça a esses seis anos de Governo (de Guterres)”.
Roque Lino optou por defender alianças à esquerda. Na lista de ausências esteve Mário Soares por imperativos de agenda. Rui Mateus, afinal, foi convidado, mas estava incontactável. E Sampaio, na qualidade de chefe do Estado, não quis passar incólume à iniciativa. Associou-se com regozigo e apelou aos valores defendidos pelos PS.
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